05 Dec 2020

O resultado das eleições municipais de 2020 deixou em evidência a mudança no comportamento do eleitorado, em relação às escolhas realizadas em 2018. Desta vez, os eleitores votaram sem ódio, o voto “anti” perdeu força, foi rechaçado o extremismo ideológico, repelida as polarizações partidárias. Optou-se por candidaturas do centro.
Cinco partidos de centro-direita conquistaram a maioria das grandes cidades do Brasil. O MDB, apesar de ter perdido 260 prefeituras, em relação às eleições de 2016, quando tinha 1.044, vai comandar o maior número de prefeituras em 2021, serão 784; o PP registrou aumento de 190 prefeituras, subindo de 495, em 2016, para 685, nas eleições de 2020; o PSD também ampliou o comando das Prefeituras, em 115, passando de 539 em 2016, para 654 em 2020.
O PSDB apesar de ter perdido cerca de 40% das cidades governadas em comparação às eleições de 2016, o que corresponde a 279 prefeituras das 799, ou seja, uma redução de 32% da população governada, comandará, ao todo, 520 cidades, incluindo São Paulo, não só a maior cidade do Brasil, mas a que possui o maior colégio eleitoral. Serão 36 milhões de brasileiros (16,2% da população) morando em municípios administrados por gestões tucanas, nas principais em todas as cidades do País. A sigla ainda registrou recorde de vitórias no Estado de São Paulo, 179 municípios, superando a marca de 2016, com 173. Isso significa que o partido vai administrar em torno de 50% da população, em 2021.
Em relação ao DEM, a sigla foi a que teve maior crescimento em número de prefeitos eleitos. O partido ampliou o comando em 196 o número de prefeituras, passando de 268 nas eleições de 2016, para 464 em 2020. O Republicanos obteve 106 prefeituras a mais, passando de 105 em 2016, para 211 em 2020 e o Podemos, de 30 em 2016, para 102 em 2020. A principal vitória do ex-PFL foi no Rio de Janeiro, com a eleição do ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), que venceu o atual prefeito Marcelo Crivella, (Republicanos) que tentava a reeleição, com apoio do presidente Jair Bolsonaro.
Quanto às Capitais, o MDB obteve a maior conquista, foram cinco (Goiânia, Cuiabá, Teresina, Boa Vista e Porto Alegre), seguido de quatro do DEM (Salvador, Curitiba, Rio de Janeiro e Florianópolis) e do PSDB (Natal, Porto Velho, São Paulo e Palmas); duas do PP, (Rio Branco e João Pessoa), duas do PDT (Fortaleza e Aracajú); duas do PSD (Belo Horizonte e Campo Grande); duas do PSB (Maceió e Recife) e uma Republicanos (Vitória), uma PSOL (Belém); uma Podemos (São Luís) e uma Avante (Manaus). O PT não elegeu nenhum prefeito de Capital e perdeu o comando de 71 prefeituras, caindo de 254 para 183 no total. Os prefeitos eleitos petistas deverão governar cerca de 3% do eleitorado do País.
O PSD, Progressistas e DEM irão, juntos, governar quase um terço do eleitorado do País (32%). Em 2016, as prefeituras conquistadas pelos três partidos representavam cerca de 17% do eleitorado. Já Bolsonaro, que apoiou 16 candidatos a prefeito, teve apenas quatro eleitos: Tião Bocalom, em Rio Branco (AC), Roberto Naves em Anápolis (GO), Gustavo Nunes, em Ipatinga (MG) e Mão Santa em Parnaíba (PI). Seu antigo partido, o PSL, fez 92 prefeitos (1,3% do eleitorado nacional).
Ainda é muito cedo para traçar prognósticos para o cenário eleitoral de 2022 ou para definições dos principais candidatos para a disputa presidencial, mas, o que ficou evidente é que a política tradicional, com já conhecidas figuras políticas e velhos partidos, ainda pode ter força e boa representação, ao contrário da onda da “nova política” das eleições de 2016 e que o extremismo ideológico, pelo menos por enquanto, perdeu o impacto de outrora.

Vitorioso
No segundo turno das eleições municipais, o MDB foi o partido que mais conquistou prefeituras. Foram 10 vitórias. Depois aparecem PSDB e Podemos, com oito e seis prefeitos, respectivamente. Já o PT ficou como o maior derrotado, pois perdeu 11 das 15 disputas de que participou, no domingo (29) de novembro. O segundo turno das eleições foi realizado em 57 municípios, sendo 18 capitais.
 
Mais votados
O partido que fez o maior número de prefeituras nas Capitais do Brasil, nessas eleições, foi o MDB, com cinco; PSDB e DEM com quatro, cada um; 2 PP, PDT, PSD e PSB e 1 Republicanos, PSOL, Podemos e Avante. Já em relação aos prefeitos eleitos nas Capitais, o mais votado foi Arthur Henrique (MDB), de Boa Vista (RR), com 85,36% dos votos; seguido de Bruno Reis (DEM), de Salvador (BA), com 64,20%; Eduardo Paes (DEM), do Rio de Janeiro, com 64,07% e Kalil (PSD), de Belo Horizonte (MG), com 63,36% dos votos.
 
Moderado
O prefeito reeleito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), manteve o tom ameno na campanha à reeleição, no segundo turno. Apesar da pressão para que a estratégia do tucano contra o adversário, Guilherme Boulos (PSOL), mudasse do crítico-construtivo para ataques incisivos e da desconstrução total de Boulos, Covas bancou os riscos do “jogo limpo”. O resultado não só agradou aos eleitores, aos tucanos do partido, mas mostrou que é possível fazer política sem ódio.
 
Força
O resultado das eleições municipais deixou claro a força dos partidos do Centro. Ainda é cedo para se avaliar se essa força se manterá até 2022, contrariando cenários de polarização, com pitadas de ódio. Um dos partidos do Centrão, que mais cresceu nesse pleito eleitoral, o DEM já está dividido. Alguns membros da cúpula são favoráveis à candidatura do apresentador Luciano Huck, que recebeu convite para se filiar ao partido. Outros preferem apoiar o projeto presidencial do governador João Doria (PSDB).
 
Força I
Com isso, a ala paulista do DEM ficou em alerta, pois Rodrigo Garcia (DEM) e vice-governador do Estado, já teria fechado aliança com João Doria (PSDB), caso ele seja candidato a presidente em 2022. Garcia seria candidato ao Governo do Estado. Porém, a ala de fora de São Paulo acredita que o PSDB irá querer lançar candidato próprio em São Paulo. Os dois cenários podem ser favoráveis ao prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), que nunca escondeu sua vontade em alçar voos políticos fora do município, principalmente, no Governo do Estado.
 
Voo
Até hoje, nenhum ex-prefeito do ABC conseguiu emplacar uma candidatura a governador do Estado, nem compor como vice. Morando poderia ser o primeiro, caso ganhe posições na corrida política partidária até 2022. O prefeito de São Bernardo poderia, então, tanto compor como vice de Rodrigo Garcia (DEM), ou como candidato próprio dos tucanos a governador. A oportunidade parece tentadora, porém, Morando teria que abandonar seu mandato como prefeito e arcar com possíveis descontentamentos de seu eleitorado.

Disputa
Das 16 cidades do Estado de São Paulo, onde houve segundo turno, o PSDB disputava o maior número de prefeituras. Das seis cidades onde o partido disputou o comando das prefeituras, ou seja, Piracicaba, Praia Grande, Ribeirão Preto, São Paulo, São Vicente e Taboão da Serra; foi vitorioso em três, São Paulo (Bruno Covas); Praia Grande (Raquel Chini); Ribeirão Preto (Duarte Nogueira). Já no primeiro turno, os tucanos conquistaram 176 prefeituras paulistas dos 645 municípios do Estado. Portanto, a sigla foi vitoriosa em 179 cidades do Estado de São Paulo.
 
Contramão
O segundo turno das eleições mostrou que o antipetismo ainda existe entre os eleitores do País. Os três principais candidatos a prefeito apoiados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Guilherme Boulos (PSOL), em São Paulo; Manuela D’Ávila (PCdoB), em Porto Alegre e Marília Arraes (PT), no Recife, saíram derrotados. Já no ABC, o PT voltou ao comando das Prefeituras de Mauá, com Marcelo Oliveira, após as gestões do ex-prefeito Oswaldo Dias (PT), que governou a cidade por três vezes, entre 1997 a 2000, 2001 a 2004 e de 2009 a 2012.
 
Contramão I
Em Diadema, o PT também voltou ao comando da Prefeitura. José de Fillipi Júnior fará seu quarto mandato como prefeito. O petista já tinha sido prefeito de Diadema outras três vezes, (1993-1996), (2001-2004) e (2004-2008). Também será o sétimo governo do PT na cidade, que já foi administrada por Mário Reali (2009-2012), José Augusto da Silva Ramos (1989-1992) e Gilson Correia de Menezes (1983-1988).

Afastados
O prefeito de São Caetano, José Auricchio Júnior (PSDB), ficará de licença para tratamento pós-Covid-19 até 20 de dezembro. O afastamento foi aprovado na Câmara Municipal, na terça (1). Na mesma sessão foi concedida, também, licença ao vice-prefeito Beto Vidoski (PSDB), para tratar de assuntos particulares, até 11 de dezembro. Com isso, o presidente da Câmara Municipal, Pio Mielo (PSDB) assumiu como prefeito interino.
 
Imbróglio
Auricchio, que continua com sua candidatura indeferida no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), aguarda desfecho de recurso judicial para reverter a situação, o que deve ocorrer até o dia 18 de dezembro, último dia para a diplomação dos eleitos. Caso Auricchio não obtenha vitória, o próximo presidente da Câmara poderá assumir o comando da Prefeitura por até 90 dias e, nesse período, convocar nova eleição para definir o prefeito.

Aos eleitos e eleitores

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A democracia inclui a troca pacífica dos governantes. Foi o que vivemos, através das eleições para prefeitos e vereadores.
Agora, se pergunta o que os vencedores irão fazer? Cumprirão as promessas? Estão à altura para trabalhar pelo bem comum, deixando de lado rivalidades pessoais, lutas egoístas pelo poder? Há grande expectativa. O povo votou, desta vez, mais consciente e decidido a dar o poder aos que julgou melhores. Foram desprezados aventureiros que nas eleições presidenciais de 2018 foram alçados ao poder e, ao exercê-lo demonstram imaturidade e incompetência que fazem o país sofrer, além da pandemia. Em 2018, quisemos sair da boca da onça e caímos na boca do leão.
A população clama por lideranças capazes de resolver os problemas mais urgentes como moradia, desemprego, segurança, educação, saúde entre outros. Entre todas as reivindicações as principais são saúde e educação. Apesar de termos o SUS, prova de que há solução para os problemas, a pandemia nos coloca em luto nacional. Só no  ABC são 77.160 pessoas infectadas e 2.868 óbitos quando escrevo. A crise constante na organização da educação é sentida pela população como fator gerador de pobreza e miséria. Sem educação, o Brasil não progride para todos. Educação é projeto pedagógico não é só inaugurar escolas. É também cuidado com a família, base da sociedade a qual o Estado deve proteger (cf. Constituição Brasileira Art. 226).
A nível nacional, percebemos que o custo social e humano da corrupção e a incompetência vai minando as esperanças da Nação. O povo sofre e em especial nas periferias a fome está voltando. É preciso que os eleitos tenham espírito público, o qual se traduz em diálogo civilizado com todos os segmentos da sociedade. É preciso que tenham respeito pelas instituições. O dinheiro existe para se resolverem estes problemas mas não há planejamento e vontade política, falta às vezes a misericórdia que Jesus teve com a população miserável: “Tenho pena deste povo que anda como ovelhas sem pastor” (Mc 6,34).  Os pastores foram escolhidos. Saberão pastorear o povo e não a si mesmo e seus clãs? De qualquer forma deverão prestar contas a Deus do qual emana todo o poder, também o que passa pelo povo (Rm 13,1; Jo 19,10).
Enfim, o que se espera dos prefeitos e vereadores eleitos é que exerçam a cidadania conforme o mandato recebido para serem pessoas públicas, capazes de desenvolverem políticas públicas em favor da população, em especial as mais carentes. A Igreja Católica, na Campanha da Fraternidade do ano passado, tratou deste tema mais atual que nunca. As políticas públicas são um conjunto de ações, programas e decisões tomadas pelos gestores públicos, com a participação ou não da população, que são direitos dos cidadãos e devem ser garantidos e implementados pelos gestores públicos.
As políticas públicas afetam todos os cidadãos.  Não são favores, mas deveres dos gestores públicos. Devem ser implementadas para atingirem resultados na promoção do bem comum. No sentido político é processo de decisões administrativas ou conjunto de projetos e atividades realizadas pelos governantes de forma planejada em benefício da população, atendendo em especial os que mais precisam.
O Reino de Deus inaugurado por Jesus é feito de justiça e paz. As políticas públicas são instrumentos para atingir estes objetivos, por isso, a Igreja insiste neste ponto e conclama seus fiéis a vigiar os eleitos no cumprimento de suas funções. E também colaborar com sugestões e participação para que haja eficiência e transparência.
O voto dado deve prolongar-se na atenção para o que faz o eleito. Dizia Napoleão Bonaparte que, “a obra política mais difícil é conquistar a confiança antes que o êxito por realizar o prometido”. É mesmo, do contrário a política será a “arte” de se servir do povo, dando-lhe a crer que o servimos.
Parabéns aos eleitos, que Deus os fortaleça com sua bênção!

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A palavra é o que distingue o ser humano dos outros animais. Ela é mágica. Seduz, convence, exalta, enaltece e inebria. Mas também pode ferir. Machuca, deixa cicatrizes, mata os bons sentimentos.
No decorrer da História, a palavra foi o instrumento poderoso que edificou a civilização. Feliz de quem pode se deleitar com a leitura de preciosidades produzidas por espíritos superiores, que já não estão entre nós, mas cuja obra é eterna.
Ensinar a ler, a se exprimir com proficiência, a escrever, é o que muda a vida das pessoas. Por isso o letramento é tão importante. Quem não lê, não aprende a pensar. Fica trancado na indigência de um pobre vocabulário. Nossa tradição romano-helênica sempre conferiu enorme prestígio à oratória, à eloquência, à retórica.
Por isso é frustrante verificar o quanto de deterioração se constata na forma de expressão de líderes de nações que se propõem a ser faróis culturais e democráticos para todas as demais.
A Professora francesa Bérengère Viennot escreveu “A Língua de Trump”, explorando os dois primeiros anos do Presidente americano. Constatou que, numa única entrevista, mencionou 41 vezes o termo “great” (grande). 25 vezes o verbo “win” (vencer), 7 vezes “tremendous” (tremendo).
Mais do que o uso excessivo da mesma linguagem rompante, nota-se a grandiloquência com que os verbetes são pronunciados. Quase sempre com rudeza, de forma agressiva, como se quisesse que os ouvintes engolissem as palavras.
Cabe lembrar que o grande escritor Philip Roth (1933-2018), logo que Trump tomou posse, fez o seu diagnóstico sobre o novo Presidente do maior país do Ocidente: “ignorante sobre governo, história, ciência, filosofia, arte, incapaz de expressar ou reconhecer sutileza ou nuance, destituído de toda decência e detentor de um vocabulário de 77 palavras que seria melhor chamar de paspalhês (jerkish) do que de inglês”.
Nesse aspecto do bom uso do vernáculo, a comparação com Barak Obama é uma covardia. A fala correta, serena e lúcida de Obama é o modelo que o bom gosto recomenda seguir. Uma boa reflexão para os professores de português e de comunicações. Como explicar situações tão antagônicas?

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A sonda chinesa Chang'e-5 desacelerou e entrou na órbita lunar no sábado, dia 28 de novembro, completando uma etapa vital em seu caminho para coletar e devolver amostras lunares, anunciou a Administração Espacial Nacional da China (CNSA).
Depois de voar cerca de 112 horas da Terra, um motor da sonda foi ativado quando estava a 400 km da superfície da lua às 8h58 da noite e foi desligado após cerca de 17 minutos, disse a CNSA.
A sonda realizou a frenagem sem incidentes e entrou na órbita lunar com sucesso, de acordo com os dados de monitoramento em tempo real.
A Chang'e-5, que compreende um orbitador, um pousador, um ascender e um dispositivo de volta, realizou duas correções orbitais durante a transferência da Terra-Lua, alcançando seus objetivos esperados.
Posteriormente, a sonda ajustará a altitude e a inclinação de sua órbita ao redor da lua. Quando o momento for apropriado, a combinação de pousador e ascender se separará da combinação de orbitador e dispositivo de volta, implementará uma aterrissagem suave no lado mais próximo da lua e realizará a coleta automática de amostragem conforme planejado.

Uma façanha única
Vocês já imaginaram o que significa lançar uma espaçonave rumo à Lua com a missão de recolher amostras de rochas lunares e trazê-las para a Terra.
Pois é exatamente essa a missão da sonda Chang’e 5 lançada dia 28 rumo à Lua pela China. A Chang'e 5 tem como objetivo perfurar um buraco de dois metros de profundidade na superfície da Lua, recolher uma amostra de cerca de 2 kg de rocha e trazê-la para a Terra.
Se tiver êxito, será a primeira missão lunar de retorno de amostra desde 1976, quando uma sonda soviética chamada Luna 24 trouxe uma minúscula amostra de apenas 170g de amostra do solo lunar. E será mais um passo em frente no programa espacial da China.
A missão atual foi preparada anteriormente pela Chang’e 4, sonda que pousou na face oculta da Lua que é sempre invisível da Terra e, portanto, também fora do contato de sinais diretos de rádio.
Isso significa que as comunicações têm que ser retransmitidas por um satélite que habilmente localizado para esse propósito em um lugar onde a interação dos campos gravitacionais da Terra e da Lua permita que ele orbite um ponto no espaço vazio.

Pausa para descanso

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Vamos fazer uma trégua neste meu espaço semanal. O leitor tem direito a um descanso, por isso vou dar-lhe a oportunidade de passar uns tempos sem minha coluna, ao menos para os que se dão ao trabalho ou ao esforço de ler meus escritos.  Após uma temporada  de ausência, voltarei com minhas crônicas a este canto de página. Sem a pretensão de ser lido tenho também a acolhida, estou certo, de muitos leitores atentos a este meu meditar semanal sobre questões, às vezes mais importantes em nosso dia-a-dia.
Por exemplo, hoje eu pretendia focar nossa escritora Nélida Piñon e seu livro sobre uma sua viagem a Sagres, mas fica para outro dia, quando eu voltar a este espaço. Por ora vou também descansar, ou seja, ficar esperando o trem passar. Pois estou em Torrinha, minha terra natal, forçado a uma trégua em minhas correrias de todos os dias e de toda uma vida. Passei por uma cirurgia complicada, no fêmur, e ainda estou convalescendo, caminhando com dificuldade e com o auxílio de  muletas, o que não me impede de escrever, e sobretudo, de ler. É o que tenho feito, com satisfação, procurando "encher o tempo" que tenho à minha disposição.
Mas, não é fácil, sobretudo para quem sempre esteve preocupado em fazer a tarefa diária e, contraditório que pareça, essa tarefa tornou-se deliciosa obrigação para dar conta de ajudar o tempo passar - e como tem demorado a passar os dias de "descanso" obrigatório.
Convidaram-me uns amigos a jogar baralho. Agradeci, pois não é do meu gosto. Gosto de jogar malhas, como estamos num tempo de pouco convívio com pessoas devido  ao resguardo obrigatório, o jogo de malhas também está suspenso. Resta a leitura e tenho até exagerado em ler jornais, revistas, livros.
Minha filha em cuja casa estou descansando ajuda-me a passar o tempo, mas ela tem seus compromissos e vai cumprindo-os como pode. A outra filha continua residindo em São Paulo,  meu filho em São Bernardo e eu, em Torrinha. E assim vamos tocando o tempo que me sobra  e como sobra...
Até breve!


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