07 Aug 2020

Brigas de Natal

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Não são só festas e boas intenções que compõem as celebrações do Natal. Há brigas também, sérias, violentas entre religiosos, por incrível que pareça. Vejam só o que aconteceu em Belém, na Cisjordânia: tal como vinha ocorrendo em anos anteriores grupos de religiosos disputavam espaços na Igreja da Natividade, lugar sagrado para os cristãos, porque segundo a tradição teria sido ali a mangedoura onde nasceu o menino Jesus. E a gruta do local vem sendo mantida para a visitação de fieis e curiosos. Eu a visitei certa vez. É um espaço apertado, meio asfixiante, onde cabem três ou quatro pessoas, especialmente que não sintam claustrofobia, ali permanecendo por segundos ao lado de alguém encarregado de recolher os óbulos dos visitantes. Pois é nessa Igreja da Natividade que costumam ocorrer brigas entre religiosos disputando suas áreas exclusivas para limpeza do templo. Segundo noticias que nos chegam pela imprensa e TV clérigos ortodoxos gregos e religiosos armênios brigaram ainda uma vez neste Natal de 2011 armados de vassouras com socos e xingações mútuas para defenderem o espaço certo de cada um para a limpeza da igreja. O controle desse território sagrado é dividido entre gregos ortodoxos, apóstolos armênios, e católicos, sendo que as relações de poder do local impõem que aceitar a invasão de uma área pelo titular de outra área para a “limpeza sagrada” significa derrota, na base de que seria ceder seu território a um “adversário”. Como se não fossem todos “irmãos”! Inimaginável, na concepção deles, pois que nesses espaços delimitados pela tradição até mesmo bancos, lâmpadas e candelabros têm dono certo e invadir o terreno alheio é comprar briga na certa. O noticiário sobre essa curiosidade religiosa ainda revela que mais de cem pastores e monges foram às vias de fato nessa briga por seus territórios, só acalmados com a intervenção da polícia que certamente não conseguiu entender como é que “homens de Deus” se engalfinhem assim por disputas materiais como seja a limpeza de objetos sagrados entre os quais as paredes e o chão do templo. Essa briga não pode ou não deve ser entendida como parte integrante do ritual preparatório para a grande festa do Natal. A crença religiosa, a fé, as boas intenções, bem se isso devesse ser levado em conta não haveria de ser motivo para desavenças.

Tito Costa é advogado, ex-prefeito de São Bernardo do Campo e ex- deputado federal constituinte de 1988. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

O que fizeram do Natal

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O que fizeram do Natal

Que coisas novas dizer sobre o Natal ? Por isso mesmo não vou falar do Natal tradicional, presépios, Deus-menino, votos de felicidade para todos, amor, solidariedade uns com os outros, como se não vivêssemos numa sociedade egoísta, cada um por si, danem-se os outros etc. etc. O titulo acima foi tirado de um poema de Carlos Drummond de Andrade que termina falando das beatas ajoelhadas para adorar o deus nuzinho enquanto suas filhas e seus namorados foram dançar nos clubes sem presépios.  É assim o Natal de nossos tempos sem a pureza dos de antigamente, o Menino esquecido na manjedoura,  presentes, correria nas lojas, árvores de luzes coloridas, comilanças, bebelanças, roubalheira, corrupção à solta, Papai Noel beijando a ingenuidade dos pequenos, de olho nos cartões de crédito dos adultos. E o Cardeal Dom Odilio Scherer, arcebispo de São Paulo, direto ao assunto: Os tempos modernos deram-se conta de que o Natal tinha um apelo comercial muito bom e vendia muito, por isso criou-se a figura do bom Velhinho vestido de vermelho, tão nosso conhecido. Pergunta o Cardeal: “Será que o Papai Noel vai conseguindo o que Herodes não conseguiu com sua ira: eliminar Jesus da cena?” As Escrituras sagradas nos contam que o Rei Herodes, governador da Judéia, mandou matar as crianças nascidas nessa época, com medo do Menino e de seu anunciado poder.
Nada contra as festas natalinas, sua alegria contagiante, presentes, votos tantos de felicidade. Mas, e o ponto central de tudo, pelo menos para os cristãos?  Daí o desconsolo do poeta cujos versos inspiraram esta crônica: o que fizeram do Natal?   As beatas se ajoelham e adoram o deus nuzinho; suas filhas e namorados vão ao pagode (hoje as baladas); a multidão se acotovela nas lojas; e o Menino?, ora o Menino, os Herodes modernos nos induzem a ignorá-lo. E ainda temos os sempre atuais versos de Machado de Assis no seu famoso Soneto de Natal:  “Mudaria o  Natal ou mudei eu?” Ou, mudamos nós?

Tito Costa é advogado, ex-prefeito de São Bernardo do Campo e ex- deputado federal constituinte de 1988. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

1946 – 1964 (2)

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Falei aqui na semana passada de como surgiu o PDT, fundado por Leonel Brizola para quem a Justiça Eleitoral, por intercessão direta do governo militar (leia-se General Golbery do Couto e Silva – “O Bruxo”), indeferiu o registro do PTB, sigla de Getúlio Vargas que Brizola pretendeu encampar, ao voltar do exílio. Mas, derrotado nessa busca, pois que a legenda PTB foi entregue de bandeja para a deputada federal Ivete Vargas, sobrinha de Getúlio, não lhe restou outra saída senão criar a nova sigla: Partido Democrático Trabalhista, que foi por ele presidida, sucedendo-lhe na presidência o notório Carlos Lupi, ministro do Trabalho de Lula e de Dilma.
E aqui entra o desastre da  sigla PDT que forma, juntamente com outras legendas, a chamada sustentação política do governo federal para garantir a tão louvada governabilidade. Trata-se de fantasioso e fictício ajuntamento político, numa junção de legendas marcadamente fisiológicas, cuja permanência, na maioria das que compõem a tal sustentabilidade do governo, só busca interesses pessoais de seus dirigentes e/ou da própria legenda dita trabalhista. Está aí o deputado Paulinho da Força que não deixa ninguém duvidar desse fato.
O PDT é um partido sem alma, disse Marly da Silva Motta historiadora do Centro de Pesquisa e Documentação da FGV - Fundação Getúlio Vargas, e acrescenta: com a morte de Brizola o partido perdeu sua identidade, pois Lula entregou a ele um Ministério do Trabalho totalmente esvaziado, já que o PT pela via dos movimentos sociais e de ala “progressista” da Igreja abocanhou essa fatia do trabalhismo com a experiência das lutas sindicais das décadas de 1970/1980. Hoje, lembra a profª Marly, as grandes decisões trabalhistas passam por outras instâncias do governo e da relação direta de Lula com as lideranças sindicais. E arrisca uma profecia pelo destino do PDT:  vai ficar como o DEM, pois o PFL (antecessor do DEM) perdeu o nome e perdeu a alma. “O PDT manteve o nome mas perdeu a alma”. (Entrevista ao Estadão em 20/11/11).
E é assim que o Lula, com a força do seu carisma e a docilidade do PT que a ele se curva cegamente, vai demolindo instituições e costumes até o dia em que a nação acorde e possa entender que “nunca antes neste país” se fez tanto para aparelhar a máquina do governo a serviço exclusivo de um partido político e   de sua liderança maior.  O PT aqui em nossa região do ABC segue bem comportado esse figurino.

Tito Costa é advogado, ex-prefeito de São Bernardo do Campo e ex- deputado federal constituinte de 1988. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

1946-1964 (I)

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Há uma curiosidade nessas duas eras (1946 e 1964), além da simples inversão dos algarismos.
1946 foi ano de eleição depois da queda de Getúlio Vargas, deposto pelos militares em 25 de outubro de 1945, após ter ficado 15 anos no poder desde a revolução de 1930. Da eleição, saiu escolhido o presidente Eurico Gaspar Dutra, matogrossense,  que foi Ministro da Guerra de Getúlio e apoiado por este.  A Via Dutra que liga São Paulo ao Rio é homenagem a esse ex-presidente.
1964 foi o ano da chamada “revolução”, outro golpe dos militares sob o pretexto de combate aos “comunistas” que estariam gravitando em torno de João Goulart, vice presidente de Jânio Quadro que assumiu o poder depois da desastrada renúncia deste em 25 de agosto de 1961.
Leonel Brizola, cunhado de João Goulart, que era governador do Rio Grande do Sul quando do movimento de 1964, reagiu a esse golpe,  teve cassado seu mandato pelos militares, foi exilado e só retornou ao Brasil após a lei da anistia, ainda no governo de João Figueiredo, o último presidente militar oriundo do golpe de 1964.
Retornando ao Brasil, Brizola veio a São Bernardo, depois de contato comigo, então prefeito. Queria conhecer Lula e o Sindicato dos Metalúrgicos onde foi levado por mim. Alí foi hostilizado e vaiado pelos dirigentes daquela entidade e de uns poucos trabalhadores previamente escalados para receber mal o visitante. Foi constrangedor, mas estava dentro do script, como relata o jornalista José Nêumane Pinto em seu recente livro O Que Sei de Lula (Editora Topbooks/SP). É que os militares, de olho em Lula, apostaram nele como figura popular capaz de se opor à liderança de Brisola, que temiam em razão de seus antecedentes ideológico-políticos. Tanto assim foi que esse líder sul-riograndense  ao voltar ao Brasil tentou reinventar o PTB de Getúlio, o que lhe foi negado pela Justiça Eleitoral que, ainda por influência dos milicos, deu de bandeja a legenda trabalhista para a então deputada Ivete Vargas,  sobrinha de Getúlio . Daí, surgiu o PDT (Partido Democrático Trabalhista) fundado por Brizola e por ele presidido durante anos. Sucedeu-o no comando nacional da sigla o notório Carlos Lupi, Ministro do Trabalho de Lula e de Dilma. Ficou bem claro que os militares apostaram em Lula e até mesmo no PT, como instrumentos para afastar a liderança de Brizola da massa de trabalhadores até então seguidores da cartilha getulista.  O tempo se encarregaria de mostrar por fatos que a mensagem de renovação  do PT não passou de engodo o que vem determinando o afastamento de expressivas lideranças das hostes comandadas por Lula. São fatos verídicos que precisam ser relembrados a fim de bem situar na História do Brasil contemporâneo as influências de Lula e de seu partido político.

(continua este apertado resumo na próxima semana, nesta coluna).

Tito Costa é advogado, ex-prefeito de São Bernardo do Campo e ex- deputado federal constituinte de 1988. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Mamãe Clory

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A cena pode ser imaginada assim: Mamãe Clory chegando ao Céu, bate à porta e lá vem o porteiro a quem ela diz: - Licença São Pedro. E este, prontamente: - Entra Clory, você não precisa pedir licença.
A idéia não é minha, mas sugerida por um poemeto de Manoel Bandeira, esse festejado poeta pernambucano.  Chama-se Irene no Céu o poema e é assim: “Irene preta/ Irene boa/ Irene sempre de bom humor./ Imagino Irene entrando no céu: - Licença, meu branco !/ E São Pedro bonachão: - Entra, Irene.Você não precisa pedir licença”. Tal como compositores musicais fazem transcrições de peças de outros compositores, faço eu a transcrição dos versos de Bandeira, colocando Clory no lugar de Irene, sendo recebida com as mesmas honras pelo dono das Chaves do Paraíso. Clory Fagundes Marques para quem não sabe, veio de Alegrete no Rio Grande do Sul para São Bernardo, nos idos de 1960, e aqui fundou a Associação Cristã Verdade e Luz que atende crianças de zero a quatro anos de idade, além de idosos. Formou centenas de pessoas, seus “filhos” e “netos” como ela chamava a todos, preparando-os para a luta pela vida, com o mesmo carinho de mãe verdadeira, amoldando-os para a vida familiar e profissional.  Como prefeito, nas inúmeras vezes em que estive em sua Casa, pude testemunhar visitas de casais, saídos já adultos desse Lar,  acompanhados de seus filhos, voltando ao ninho antigo  para ver a mãe adotiva, beijando-lhe as mãos com gratidão filial.  Era comovente ver a atenção dela para com todos. No meio da algazarra dos pequenos, brincando no páteo, havia a vigilância dos maiores, todos ali abrigados, vivendo vida verdadeiramente familiar. Uma vez perguntei-lhe: - Como pode a senhora dar conta de tudo isso ?  A resposta não poderia ter sido outra: - Tenho auxilio de muita gente e, mais que tudo, a ajuda do bom Deus. Seu sepultamento no cemitério da Colina em São Bernardo em 22 de novembro de 2011, marcou o final de uma vida privilegiada inteiramente dedicada ao bem do próximo no melhor estilo do mandamento cristão. E é bem por isso que São Pedro a recebeu com festas no Céu dizendo-lhe: - Entra logo, Clory.  Você não precisa pedir licença e vai encher de alegria e animação a gente por Aqui. Tal como você fez, com muita dedicação, lá embaixo.

Tito Costa é advogado, ex-prefeito de São Bernardo do Campo e ex- deputado federal constituinte de 1988. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

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Por iniciativa do vereador Tunico Vieira a Câmara Legislativa de São Bernardo concedeu, recentemente, o titulo de cidadão sambernardense ao pof. Eduardo Domingos Botallo que foi diretor da Faculdade de Direito e alí leciona há vários anos. Foi no auditório dessa nossa Escola, em sessão solene, que a outorga lhe foi entregue. Participei de um vídeo exibido na ocasião com um depoimento sobre o homenageado pois havíamos trabalhado juntos, ambos recém formados, como advogados da Prefeitura ao tempo do inesquecível prefeito Lauro Gomes. Assinalei, entre outras virtudes do agraciado, que ele também transita no terreno da poesia e que publicou um excelente livro de trovas tributárias, sendo o Direito Tributário uma de suas especialidades. 
Quem diria que o direito tributário pudesse inspirar poesia. Mas, Eduardo Botallo conseguiu poetar em torno de um tema tão árido pois não há quem não se assuste ou se amedronte em face do leão, implacável arrecadador de tributos, sempre com a boca escancarada na busca de suas vítimas. Trovas Tributárias, editado pela Livraria e Editora Alpharrabio, de Santo André, abre-se com uma dedicatória muito especial, contendo  bem humorado trocadilho: “Esta obra é dedicada à Receita Federal do Brasil, a quem os contribuintes pátrios tanto devem”.
Assinalei também que Eduardo Botallo e eu nos encontramos no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo onde ele teve assento, por quatro anos, como juiz, na categoria de jurista, por nomeação do presidente da República. E eu advogado atuando naquela Corte especial. Contei também nesse depoimento que quando prefeito de São Bernardo promovi durante alguns anos concurso nacional de trovas, aqui comparecendo trovadores de vários estados do Brasil. Mas não me dei conta, naqueles tempos, da existência de um exímio mestre da trova tão perto de nós, o prof. Botallo, que em 2006 recebeu da União dos Trovadores do Brasil o troféu “Revelação da Trova”. Eis algumas delas: sobre empréstimo compulsório: Um larápio me levou/ da cueca ao suspensório/ e, sério, justificou:/ ”empréstimo compulsório”.  Sobre o IPVA: “É só congestionamento/ para onde quer que se vá/ mas o que mesmo lamento/ é pagar o IPVA”. Sobre o imposto de herança, o “causa mortis”: “Vendo marido de idade/ a Glorinha no seu “shortis”/ fica louca de vontade/ de pagar o “causa mortis”. Aqui a palavra shortis foi adaptada para rimar com mortis. É a chamada licença poética. Sobre as grandes fortunas: “O Senador, na tribuna/ proclama o que é de justiça:/ “tribute a grande fortuna”/ (A dele ... está na Suíça)”. Em homenagem ao autor perpetrei uma de minha autoria: O Botallo, com requinte/ Lamenta o que o Fisco tira/ Mas se é ele o contribuinte/ A Musa já não o inspira!

Tito Costa é advogado, ex-prefeito de São Bernardo do Campo e ex- deputado federal constituinte de 1988. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.


O cachorro

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Amigos

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