
A presidente da Eletra, Milena Braga Romano, em entrevista exclusiva à Folha, revelou que, após três anos, a empresa, que antes só fornecia ônibus para empresas do grupo de transportes, hoje, já comercializou mais de 1,3 mil ônibus elétricos e está presente em mais de dez estados e 43 garagens.
Destacou que o grande diferencial dos ônibus da Eletra, em relação aos concorrentes, é a durabilidade. “São feitos para durar 20 anos”, disse. “Nosso interesse principal não é vender um ônibus, é vender para sempre”, completou.
Também comentou que, neste ano, o maior investimento foi o lançamento do chassi elétrico. “A partir de agosto, a Eletra está virando a chave para uma montadora”, revelou. Ainda anunciou que a empresa deverá alcançar a marca dos 2 mil ônibus em fevereiro de 2027. Confira.
FOLHA DO ABC- O novo espaço da fábrica da Eletra em São Bernardo completou três anos. Neste período, quais foram os principais desafios e conquistas?
Milena Braga Romano- Na verdade, estamos com a fábrica, há mais de 25 anos, em São Bernardo, só que era uma fábrica pequena eacabamos fornecendo só para o grupo, que eram os trólebus e alguns ônibus elétricos a bateria.
Há três anos mudamos para este novo espaço e ampliamos o número de produtos, as vendas. Iniciamos as vendas, primeiro para o município de São Paulo, depois para o Espírito Santo, Salvador (BA) e, hoje, estamos em mais de dez estados, 43 garagens e com vários desafios.
O maior desafio é a competição que temos com os ônibus estrangeiros, da Ásia, da Europa, e por ser um produto novo, uma tecnologia nova, que para nós não é nova, é muito antiga, já temos isso, há mais de 25 anos, produzimos, testamos, operamos, mas para todos os empresários, para todos os governos, é uma tecnologia nova no Brasil.
O Brasil está um pouco atrasado em relação a outros países da América Latina e da Ásia, em relação à eletrificação de frota. Então, existem barreiras e desafios grandes de qualquer coisa nova. Mas, acho que tudo isso está sendo superado e estamos avançando, graças a Deus, com muito trabalho, inovação, dedicação e qualidade nos produtos da Eletra.
FOLHA- Qual volume de ônibus produzidos, os modelos fabricados e para quais cidades do Brasil e do mundo são destinados?
Milena- AEletra está com 1.300 ônibus vendidos em operação no Brasil.Estamos na cidade de São Paulo, no ABC, em São Bernardo, no corredor ABD e temos um ônibus na operação municipal de São Bernardo.
Estamos em Sorocaba, no Guarujá, em diversas cidades do interior de São Paulo, como São José dos Campos, Rio de Janeiro (RJ), Goiânia (GO), Belém (PA), Salvador (BA), Vitória (ES), Brasília (DF).
Nosso principal mercado é São Paulo Capital, mas temos outras cidades. Recife, estamos fornecendo, agora, que teve uma licitação que a gente ganhou, para 60 ônibus, e tem também outra cidade do Nordeste, não sei se foi Fortaleza. Porto Alegre (RS) também estamos, Belo Horizonte (MG), com 100 ônibus vendidos que, vamos entregar agora. Montes Claros (MG), Manaus (AM), também. Então, tem muitas, são várias cidades.
Estamos com quase 80 ônibus na fábrica, já produzidos a serem entregues. Temos mais 500 programados para produção e entrega, neste ano ainda, até dezembro.
Então, devemos alcançar os 2 mil ônibus em fevereiro de 2027. Já estamos ultrapassamos a marca dos mil, com os 1.300, isso foi há três meses e estamos em aumento de produção todos os dias.
FOLHA- Há ônibus elétricos que rodam no Brasil e que são importados (principalmente da China), mas possuem um alto custo devido ao sistema de baterias de íon-lítio, portanto, qual a vantagem dos ônibus elétricos produzidos no País?
Milena- Com relação ao mercado brasileiro, temos algumas vantagens de termos um produto brasileiro e um know-how de operação de ônibus.
Então, o ônibus foi feito dentro da nossa garagem para operar em infraestrutura condizente com as cidades, as grandes cidades no Brasil, no Nordeste, no Norte, porque a gente tem uma infraestrutura precária, um viário ruim, um número de passageiros muito elevado e que você precisa de uma robustez para aguentar essa operação.
Usamos praticamente tudo igual ao diesel, o chassi, em parceria com a Mercedes, o motor WEG, que também é um motor robusto, brasileiro, feito para durar 20 anos.
A gente tem o motor da WEG em operação com o ônibus elétrico nosso há 23 anos, operando original de fábrica. Temos a bateria, que também é nacional, foi feita considerando as características do Brasil.
Então, além da facilidade de reposição de peças, de manutenção, de assistência técnica, temos uma carroceria também brasileira, que é a Caio, que é a nossa principal parceira, que produz carroceria há mais de 60 anos.
Temos parceiros fortes que conhecem a operação nacional, que sabem das características importantes que têm que ser consideradas para fazer um ônibus de longo prazo.
Por quê? O ônibus elétrico é três vezes mais caro que o diesel. Então, é um ônibus que, para ele ter um retorno financeiro, precisa ter uma durabilidade mínima de 15 anos. O nosso ônibus é feito para durar 20 anos.
Além disso, você tem, também, uma redução no custo da energia, em relação ao diesel. Normalmente é um sexto, um quinto, depende do estado, porque tem variações de preço de energia, o custo da energia em relação ao diesel.
A gente, por exemplo, paga 20% do que pagaria no diesel. O segundo maior custo de uma empresa de transporte urbano é o diesel. O primeiro é a folha de pagamento, o segundo é o diesel. Então, o impacto é muito grande.
Em terceiro vem a despesa com manutenção e esta, também, é uma grande economia que a gente tem de mais de 70% em relação à manutenção desses ônibus.
Isso acaba trazendo um payback, um retorno do investimento inicial, em cinco anos do ônibus elétrico, em relação ao diesel, por todas essas economias e reduções de despesas, além do ganho ecológico na sustentabilidade, de redução de poluentes, de saúde pública, de bem-estar, qualidade de vida, que é muito grande.
O nosso grande diferencial, o nosso número um, é a durabilidade. Enquanto um asiático dá uma garantia de motor, por exemplo, de 5 anos, damos de 15 anos. Sabemos que os ônibus asiáticos eles são monoblocos e o chassi vem da China, normalmente até as fabricantes asiáticas, que estão no Brasil, elas trazem o chassi da China e ele é muito frágil, porque ele é de alumínio.
A expectativa é de três a quatro anos e começa a dar problema. Isso, é experiência que temos já de outros ônibus. Então, o nosso, ele não vai acontecer esse problema de trinca no chassi, nem na carroceria. Ele vai durar e a durabilidade é muito maior.
Outra coisa, a adaptabilidade dele foi feita para rodar nas periferias, nos grandes centros e nos interiores das cidades. São carros feitos para rodar com qualquer característica de viário, mais robustos, que aguentam o tranco da operação.
Outro benefício em relação aos importados é a manutenção, a reposição de peça. A gente tem muita agilidade, quase que no mesmo horário que quebra, temos a reposição de peça e conseguimos utilizar o mesmo almoxarifado do diesel para o elétrico, porque as peças são muito similares do nosso carro em relação ao elétrico brasileiro.
Temos também a questão da assistência técnica. Como somos parceiros da Mercedes, a gente tem estrutura de concessionária no Brasil todo. Então, em qualquer lugar, temos assistência técnica imediata quando dá qualquer problema. Além disso, também temos uma equipe, a gente sempre investiu muito em assistência técnica, em pós-venda.
Então, nosso interesse principal não é vender um ônibus, é vender para sempre e acompanhar esse cliente desde a pré-entrega do produto, porque a gente faz toda a consultoria de infraestrutura, de desenho de frota, de característica do ônibus.
A gente faz aquele ônibus para ter um melhor custo-benefício daquela operação. Temos toda essa consultoria, que começa antes da venda, durante a venda e após a venda. Temos uma equipe que faz esse acompanhamento, esse treinamento, essa substituição de peças, esse conserto, tudo que precisa ser feito nos primeiros meses de operação da frota.
Então, cada garagem que tenha um ônibus elétrico, a gente tem um representante da Eletra lá dentro, dando toda essa assistência. Hoje, o nosso maior diferencial é assistência técnica em relação aos concorrentes.
FOLHA- Entre as novidades anunciadas está a expansão da fábrica e linha própria de montagem de chassis elétricos. Como tem avançado esses projetos? Há outras metas ou investimentos previstos para os próximos meses?
Milena- Esse ano, o nosso maior investimento foi o lançamento do nosso chassi elétrico. Então, a partir de agora, de agosto, a Eletra está virando a chave para uma montadora, nos tornamos montadora de ônibus e esse foi o grande passo.
Agora, temos sim, nos próximos 12 meses, alguns outros projetos, que é a ampliação da fábrica, das vendas para outros estados e temos lançamentos, também, de alguns produtos novos, em relação a tamanho, carroceria e tivemos dois lançamentos na Lat.Bus, que é a maior feira da América Latina de ônibus.
FOLHA- O e-Trol, também produzido pela Eletra, atenderá o tão aguardado BRT ABC. Como será a operação? Quantos veículos entrarão em circulação?
Milena- Esses ônibus vão ser um grande lançamento da Eletra, que é uma tecnologia que você carrega em movimento.É uma tecnologia muito usada na Europa, Suíça, Alemanha, que você tem uma catenária moderna. Ela carrega fora dos grandes centros, nos centros da cidade, ela anda autônomo e quando está na faixa de ônibus ela carrega. Então, isso facilita muito a recarga, porque é uma recarga em movimento, não precisa de uma infraestrutura nas garagens, nem de carregador, porque ela o tempo inteiro está carregando ou operando com aquela recarga que ela fez.
Ela sempre está carregando no trajeto. Não tem a necessidade de parar a frota, nem de infraestrutura, de ter altas capacidades energéticas nas garagens, que normalmente você tem que ter alta tensão.
Essa tecnologia é inédita no Brasil. Vai ser um grande lançamento. Vão operar, a pedido do BRT ABC, 80 ônibus articulados, e-Trol, que devem iniciar a operação no ano que vem.
FOLHA- A transição elétrica é o maior desafio no transporte público. Como esta questão está avançando? Qual a estimativa para o Estado de SP ter a maioria da frota composta por ônibus elétricos?
Milena- Várias cidades já contemplam isso em contratos novos e de concessão, ou já tem lei própria, mas muitos já possuem essa obrigatoriedade no contrato.
Precisa, claro, haver a vontade política e a exigência do contrato e, é claro, que também a forma de financiamento desses ônibus. Por isso que, sempre, o poder concedente tem que estar junto do operador para fortalecer essa inclusão dos ônibus elétricos.
Algumas regras foram colocadas em cidades, como São Paulo, por exemplo, de obrigatoriedade de troca de frota. Algumas outras cidades, também, mas ainda são poucas no Brasil, que exigem essa obrigatoriedade de troca de frota, com prazo determinado.
Mas, vejo que existe muito uma vontade política e comercial dos operadores em avançar com esse projeto e temos desafios.
Primeiro, a energia, a infraestrutura, o custo do sistema, custo inicial, porque ele se paga em pouco tempo, mas você existe um desembolso inicial que precisa ter o apoio de financiamentos públicos, com custo barato para viabilizar a compra desses veículos.
Acho que um grande parceiro, também é importante a gente falar, é o BNDES no projeto de São Paulo e de várias outras cidades, como Belém (PA), que participaram desse financiamento com custo barato, com uma taxa de juros aceitável para você conseguir remunerar essa operação.
Imagino que a São Paulo, porque em outras localidades ainda é uma coisa muito especulativa, está no início. Como não tem obrigatoriedade, ainda depende da vontade de ambas as partes, tanto do operador, como do governo.
Mas, a gente pode falar, por exemplo, é que São José dos Campos, que tem um contrato de locação, que vai transformar 100% da frota em ônibus elétricos, até dezembro do ano que vem. Será a primeira cidade do Brasil a ter frota 100% elétrica e é a Eletra que vai fornecer. Serão 400 ônibus. Já vendemos 20 ônibus e, agora, mais 380 até dezembro do ano que vem. Acho que os próximos chegam em setembro, que são articulados, daí todo mês vai ter entrega.
E São Paulo, acredito que até 2031, 100% da frota de São Paulo já estará elétrica, que são 12 mil ônibus.
Agora, as demais cidades e estados, tudo depende da conjuntura, acho que econômica, política. Então, a gente tem algumas incertezas. Esse ano é um ano de eleição, então, a tendência é avançar.
A gente tem demanda de mais de 25 cidades buscando a Eletra, querendo fazer projeto, mas tudo isso demora. No ABC, em São Bernardo, há uma obrigatoriedade contratual de, até 2030, ter 30% da frota elétrica.
FOLHA- Como define a relação da Eletra com São Bernardo, neste aniversário de 473 anos do município?
Milena- AEletra nasceu em São Bernardo, nosso grupo empresarial, familiar, nasceu há 115 anos e começamos em São Bernardo, com o tílburi a cavalo. Então, a nossa casa é aqui. Vamos ter o museu, que logo mais estará pronto, que está superlegal, com toda a evolução do transporte urbano no ABC e no Brasil.
Temos um carinho muito grande por São Bernardo, por termos iniciado aqui, por estarmos com as outras operações aqui e por as nossas principais parceiras, que são a Mercedes e a Scania estarem aqui e serem nossas vizinhas.
Acho que é uma cidade que sempre nos abraçou, nos ajudou, sempre tivemos muita alegria de estar aqui e acho que é um polo industrial e estratégico, logisticamente, de estar perto do Porto dos Santos, de São Paulo, perto do interior, da Baixada. É um local estratégico.
É muito importante a gente reconhecer a importância de São Bernardo para toda a indústria nacional e a gente ajudar a cidade a continuar desempenhando esse papel fundamental na economia do Brasil, que a gente sempre se destacou pela indústria.
É uma grande chance da Eletra ser o exemplo da neoindustrialização, porque nos últimos 20 anos, a indústria, tanto no ABC quanto nacional, perdeu muito espaço para os asiáticos. E em ônibus, mesmo, a gente tem um grande exemplo que o Brasil dominava a exportação de ônibus para o mundo e pra América Latina e nós perdemos esse mercado, perdemos 100% para os chineses.
Então, a Eletra é o exemplo, é a cara da reindustrialização do ABC, em especial. É uma tecnologia que a Eletra desenvolveu com engenharia, mão-de-obra, tecnologia parceiros todos nacionais. É uma grande chance de a gente voltar a ser precursor e líder na indústria de pesados como o ônibus. Acho que essa é uma grande oportunidade para São Bernardo voltar a ser destaque.
FOLHA- À frente da presidência da Eletra e como empresária há muitos anos, já enfrentou obstáculos por ser mulher?
Milena- Nunca tive muito problema com ser mulher. Meu primeiro trabalho foi no ramo funerário, plano funerário, também é um setor exclusivamente masculino.
Então, não sei qual é pior se é transporte ou cemitério mas, nunca me achei inferior ou me coloquei em situação de vítima por ser mulher, muito pelo contrário, sempre fui uma pessoa de fazer muito e pedir pouco e, é claro, a gente tem que ter humildade, tem que entregar o trabalho, tem que dar resultado e com isso você acaba construindo respeito independente se é branco, preto, amarelo, vermelho, se é mulher, se é homem.
Claro que você tem uma rejeição inicial, no meu caso, maior ainda porque eu era herdeira. Então, você tem a mulher e ainda herdeira.
Você ouve coisas, mas você não tem que dar atenção para esse tipo de coisa, nem se ofender, você tem que mostrar o seu trabalho. O cara pode falar o que ele achar, principalmente, nesse ramo de transporte, que eles têm características muito machistas, mas você tem que mostrar o seu trabalho fazer a coisa acontecer e o respeito é ganho no dia a dia, na entrega que você faz, na forma que você age, que você trata, é no exemplo que você dá, porque o exemplo tem que vir em cima.
Então, acho que você tem que provar que, o que o homem faz, você pode fazer melhor. É fazendo também. Não é atrás da mesa que você vai mostrar nada, você tem que ir a campo.
Tenho um desafio que é muito importante da minha trajetória de quando tirei os cobradores de São Bernardo, de 2016 pra 2017, foi quando comecei no transporte urbano e fui assumir a antiga SBC Trans.
Tínhamos 700 cobradores, já existia bilhetagem eletrônica, não tinha necessidade de continuar. A empresa estava pré-falimentar, sem perspectiva nenhuma de sobreviver nem seis meses e a gente tinha que tirar o cobrador de qualquer jeito.
Esse foi meu primeiro grande desafio e para tirar o cobrador ouvia muito, fazia café com os motoristas, fiz mais de 100 cafés porque eu falei com mais de 1.500 funcionários. Eu conversava sobre as dificuldades e explicava essa mudança que iria ter. Porque o motorista iria passar a cobrar e dirigir, não só a dirigir.
Então, teve muito questionamento, muito empecilho, mas o que eu fiz, eu falei ‘se vocês estão me falando que é tão difícil assim, vou tirar minha carta e começar a dirigir ônibus, vou cobrar e dirigir para ver se é tão difícil assim’.
Fui, tirei carta E, comecei a dirigir caminhão, carreta e ônibus articulado. Toda semana eu fazia uma linha, das 3h da manhã até o meio-dia, pegava a pior linha da empresa, a que mais carregava passageiro. Dirigia e cobrava e fui mostrando para eles.
Nas discussões, eu tinha argumento, falava para o sindicato principalmente. Como é que eu que não sou da profissão, não sou motorista de profissão, sou mulher, aprendi a dirigir ônibus agora, faço linha, carrego o passageiro, não tenho dificuldade, como vocês que estão há 20 anos no mercado fazendo isso não conseguem?
Dá para fazer, é possível. Então, não adianta falar para mim que não é, porque sei que é, porque eu faço. Eu sou muito dessa liderar pelo exemplo.
Fui ganhando, com o tempo, em todos os negócios, o respeito. Na Eletra, é a mesma coisa. A gente tinha uma empresa que fornecia só para o grupo. Vim, remodelei, reestruturei, relancei a empresa, comecei a criar os produtos e começamos e hoje estamos como a maior empresa de produção de ônibus elétrico nacional, com 70% do mercado brasileiro.
Tudo isso demonstra o trabalho. Então, acho que isso de mulher, não tenho muito problema com isso, nunca aceitei esse tipo de crítica e nunca liguei se tivesse ou, não porque acho que tem mulheres muito competentes, tem homens muito competentes. Acho que não é isso a questão está na competência, não está no sexo.
















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