AME Memórias de São Bernardo

O sabor que o tempo não leva – qual sabor faz você voltar no tempo?

Adélia Bechelli Guazzelli, Jandira Tolotti e Mercedes Tolotti Guazzelli prepararam os crustolis – doces tradicionais italianos, prontos para a Festa, em 2015

É agosto.

Na Mata Atlântica,
São Bartolomeu reúne
fé, raízes e memória.

Mais de sessenta anos
cabem numa mesa.

Cada família traz um prato.
Cada prato, uma história.

O pão traz a infância.
A massa traz o domingo.
O doce traz a avó.
O vinho traz a terra distante.

E o tempo, por um instante,
parece voltar.

Quem tem sessenta
reencontra os dez.
Quem sente saudade
reencontra alguém
no perfume de uma receita.

Amigos se abraçam.
Filhos chegam.
Netos descobrem.
Crianças correm, dançam, aprendem.

E ninguém envelhece à mesa.

Porque ali
a idade não conta.

Conta a lembrança.
Conta o afeto.
Conta a presença.

A mesa vira ponte:

entre a Itália e São Bernardo,
entre avós e netos,
entre o passado e o amanhã.

Uma receita passa de mãos.
Uma história passa de voz em voz.
E a memória encontra
um lugar para permanecer.

Talvez seja isso envelhecer:

não deixar o tempo levar
aquilo que o coração escolheu guardar.

Enquanto houver pão para repartir,
amigos para reencontrar,
crianças para ensinar
e histórias para contar,

São Bartolomeu continuará vivo.

Porque existem sabores
que o tempo não leva.

São os sabores da memória.

E quando a mesa é compartilhada,
o alimento nutre o corpo,
a memória alimenta a alma,
e a amizade
nos devolve à vida.

“Gracias a la Vida!”

Nota – A Festa de São Bartolomeu acontece todo último domingo do mês de agosto, no Parque Estoril, no bairro Riacho Grande em São Bernardo do Campo. Este ano a festa – um grande piquenique – comemorou seu 69º. Aniversário.

Ana Tomazoni – integrante da AME (Associação dos Amigos da Memória de São Bernardo)

Na Festa de São Bartolomeu o vinho está sempre presente (2017 – Acervo: Adalberto Guazzelli).

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