Fabio Picarelli Opinião

Os impactos da transposição Billings – Taiaçupeba

A reunião do mês de abril do Conselho Municipal de Representantes de Paranapiacaba e Parque Andreense contou com a participação da equipe técnica da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), que presta serviços a 371 municípios de um total de 28 milhões de habitantes do Estado de São Paulo. Estamos cientes da grandio-sidade do projeto, o que explica a importância hídrica da nossa região para tamanho investimento, da ordem de R$ 1,4 bilhão.
Os quatro representantes da empresa de economia mista – formado pelo diretor de Empreendimentos de Água da Região Metropolitana de São Paulo, Alberto Prado Cunha; diretor de Licenciamento Ambiental, Emerson Moreira; gerente do Polo de Manutenção, Osias José dos Santos; e gerente de Relações Institucionais, Cristina Usifati – explanaram sobre o plano de transposição de água Billings-Taiaçupeba. A obra vai abranger seis municípios: Suzano, Rio Grande da Serra, Mogi das Cruzes, Ribeirão Pires, São Bernardo e Santo André, na parte que envolve o Parque Andreense, perfazendo o total de 38 Km de extensão de tubulações de aço enterradas em uma vala de 3 a 4 metros no subsolo.
O tempo estimado para exe-cução da obra é de 14 meses. Quando concluído irá reforçar a segurança hídrica de cerca de 22 milhões de pessoas do Alto Tietê em períodos de escassez.
A interligação irá permitir a transferência de até quatro mil litros de água por segundo do braço Rio Pequeno da Represa Billings para a represa Taiaçupeba, em Suzano, que integra o Sistema Alto Tietê. Mas o bombeamento de forma integrada será acionado somente em casos de necessidade operacional e níveis dos mananciais baixos.
De acordo com os técnicos serão utilizados métodos não destrutivos e de menor impacto social e am-biental. No trecho de Santo André não haverá desapropriações.
A Sabesp deu início a obra em janeiro de 2026 a partir da obtenção da licença ambiental junto a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), porém desde o ano passado vem realizando reuniões e palestras sobre o tema com as partes interessadas, incluindo prefeituras, CPTM, Enel, Braskem, Comgás, DER, MRS e Petrobras.
Pelo escopo, a incidência de chuvas no Alto Tietê é bem menor do que na represa Billings por causa da formação de vegetação no entorno, o que causa preocupação a longo prazo com as constantes mudanças climáticas. Entre 2014-2016 o Sistema Cantareira sofreu a mais severa crise hídrica da história de São Paulo. Como medida extrema usou-se até o volume morto. Foi a transposição do Rio Grande/Billings, em Ribeirão Pires, para o Alto Tietê que evitou um colapso ainda mais grave, com a entrada de 26% de água para salvar o abastecimento de mais de cinco milhões de pessoas na região metropolitana. Na época foram transferidos 188 milhões de metros cúbicos de água. Hoje está inoperante.
Para evitar um episódio semelhante no futuro, a Sabesp antecipa as obras ainda que o cenário seja mais confortável atualmente. E já realizou estudos de possíveis impactos.
No trecho de Santo André a maioria das vias não são pavimentadas, o assentamento das tubulações causará impacto a 494 empreendimentos e aproximadamente 657 pessoas utilizam as estradas e o acesso. As obras serão ajustadas conforme as condições locais e em caso de prejuízo material a Sabesp promete o ressarcimento.
Preocupados, os moradores presentes na reunião fizeram vários questionamentos. Entre as principais dúvidas estão o agravamento da falta d’água na região com a redução do nível da represa, inclusive para aqueles que dependem de poço para sobrevivência; a compensação ambiental; a redução e o aumento da tarifa; e a comunicação da empresa responsável pela obra com os moradores e comerciantes. Neste último item a Sabesp avisa que irá distribuir folders, faixas e banners com antecedência e disponibiliza os seguintes canais: Central de Atendimento (11) 99130-5541; www.sabesp.com.br e 0800 055 0195 (emergências e serviços). Para os deficientes auditivos o número é 0800 016 0195.
A Subprefeitura de Paranapiacaba e Parque Andreense e a Prefeitura de Santo André e respectivas secretarias do Governo Gilvan Ferreira está disponível para intermediar as fiscalizações e negociações durante as intervenções.
De nossa parte, gastamos milhões do orçamento municipal para manter os mananciais em funcionamento, sendo o retorno bem inferior ao que precisamos para melhoria da qualidade de vida das comunidades. Estamos alerta também à política urbana inadequada à macrozona de proteção ambiental, enquanto alguns abnegados andreenses lutam para preservar. A região carece, sim, de melhorias viárias, manutenção e estruturas adequadas sem agredir o que a natureza nos proporciona sem cobrar nada.

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