Foi com muita honra que recebi o convite da coordenadora geral e arquiteta PHD Maria Rita Amoroso para participar do 11º FIPA – Fórum Internacional de Patrimônio Arquitetônico Brasil-Portugal 2026, no dia 18 de junho passado. Este ano o evento foi realizado em Florianópolis, Santa Catarina. Conforme a organização, um ano ocorre em Portugal e outro no Brasil.
Quero agradecer também o prefeito Gilvan Ferreira por permitir representar Santo André em um evento tão importante para a Vila ferroviária, que pleiteia junto a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) o reconhecimento do título de Patrimônio da Humanidade.
Desta vez tive a oportunidade de apresentar Paranapiacaba em uma mesa temática para a comunidade internacional de arquitetos, acadêmicos, historiadores, urbanistas, pesquisadores, gestores e profissionais comprometidos com a preservação do patrimônio histórico e cultural.
Como subprefeito de Paranapiacaba e Parque Andreense, evidenciar Paranapiacaba para um público seleto e de grande conhecimento não é tarefa fácil, porém honroso demais no aspecto profissional e pessoal.
A Vila ferroviária fundada com a construção da ferrovia Santos-Jundiaí pela empresa britânica São Paulo Railway Company a partir de 1860 com o objetivo de exportar o café produzido no interior do Estado até o Porto de Santos e de lá para o exterior, é um cantinho diferenciado localizado entre a vasta vegetação da mata atlântica da Serra do Mar e a caótica região metropolitana de São Paulo, onde se concentra o principal rebanho produtivo e econômico do Brasil.
Graças aos ingleses a vila ganhou características pouco convencionais encontrados em outros pontos turísticos do país. A estrutura do século XIX é preservada até os dias atuais.
Um período de inércia político-administrativa desde a compra da parte baixa pela Prefeitura de Santo André junto a Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) em 2002 até 2017 levou a Vila à degradação. O PAC Cidades Históricas e o Novo PAC, programas de Aceleração do Crescimento do governo federal, abriu caminhos para a restauração de diversos equipamentos históricos.
As intervenções, passo a passo, reabriram espaços para visitação de turistas. De acordo com o Estudo de Demanda Turística 2025, da Prefeitura de Santo André, a cidade recebeu 1,13 milhão de visitantes, sendo que 675 mil escolheram Paranapiacaba. É o local preferido dos turistas dentro do município.
A vila ferroviária possui muitos atrativos pós-reforma. Podemos citar o resgate do primeiro campo de futebol com medidas oficiais do Brasil e o Memorial Charles Miller representando a formação do futebol brasileiro; o renascimento do Cine Lyra, a segunda sala de projeção de filmes do país e a primeira do Estado; a estação ferroviária com o simbólico relógio, uma réplica do Big Ben de Londres; a recuperação do imóvel incendiado na rua Dr. Marun, que se transformou no Auditório Barão de Mauá; o Museu Castelo ou Castelinho, a casa do engenheiro-chefe situado no ponto mais alto; a Forjaria com a mostra de peças da antiga ferrovia; a Casa Fox, residência dos ferroviários; entre outros.
Para o futuro estão programadas a reforma de 34 imóveis e a revitalização completa do Clube União Lyra Serrano, de tantos bailes e encontros de familiares e amigos.
Por isso e muito mais os restauros em Paranapiacaba foram tema da mesa de apresentações do Fórum Internacional de Patrimônio Arquitetônico Brasil- Portugal.














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