O ser humano, péssimo inquilino do planeta Terra, não sabe “criar” uma árvore. Mas é perito em acabar com ela.
Talvez não passe pela consciência de alguns dendroclastas, exterminadores do futuro, que a natureza entregou à sanha humana um tesouro que levou milhares de anos para se apresentar em sua inteireza. Exuberante, luxuriante, com maravilhosa biodiversidade. Um espetáculo indescritível e completamente alheio à vontade humana e, menos ainda, à capacidade dos humanos de edificar algo igual.
No Brasil, o desmatamento é a maior fonte de emissão dos gases venenosos causadores do efeito estufa. O patrimônio milionário da ecologia tupiniquim aos poucos é devastado, cedendo espaço para o agronegócio insustentável, depois para pasto e, finalmente, para desertos. Somos hábeis produtores de áreas desérticas.
Quando se noticiou a ocorrência de incêndios na Patagônia argentina, muita gente não prestou atenção ao recado: o fogo ameaçava e atingiu árvores de quatro mil anos! Quantas gerações passaram por esse longo período de germinação, crescimento, maturidade e vida plena de um indivíduo arbóreo! Quatro mil anos!
É bizarro que alguém que vive algumas décadas, não mais, seja o autor dessa façanha criminosa: acabar com exemplares vivos que têm quarenta vezes mais idade do que o mais provecto dos humanos. O Alerzal Milenário ali abriga exemplares de alerces que têm entre 2.600 e 4.000 anos de idade. O grupo arbóreo é simbolizado pelo “Abuelo” (avô), apelido carinhoso a uma das árvores mais antigas e que atinge sessenta metros de altura.
Nós também temos jequitibás, jacarandás e outras espécies da riquíssima biodiversidade tupiniquim que vivem muitos séculos. Infelizmente, estão acabando.
Os mais sensíveis poderão tentar semear espécies nativas dos nossos biomas, principalmente da Mata Atlântica, a mais sacrificada, porque é alvo de adensamento prejudicial à preservação da qualidade existencial de todos os viventes. Sem esperar que esses “indivíduos arbóreos” alcancem a plenitude. Por mais que a longevidade nos garanta mais longa permanência neste planeta, nunca chegaremos aos quatro mil anos…














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