28 Nov 2021

Publicado em Editorial
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Todos são iguais perante a lei numa República e não cabe atribuir prerrogativas diferentes a alguns. Aqui se faz referência não aos privilégios, mas à responsabilidade. Quem pode fazer mais, seja pela condição econômica, prestígio profissional, capacidade de mobilização, influência política, tem maior responsabilidade.
Não só as instituições brasileiras, mas também, as figuras políticas do País estão bem longe do estado democrático de direito. Não são pouco os exemplos de abusos e omissões do Supremo Tribunal Federal (STF) ou de corrupção e irresponsabilidade do Congresso Nacional.
Num país democrático, a saúde da política pode ser medida pelo vigor da oposição. Nenhum partido ou grupo político no poder pode ou deve tratar a oposição, que é um fenômeno natural do processo político, como se fosse uma ameaça existencial, ou ser taxada de inimigos mortais, os quais devem ser combatidos, achincalhados e eliminados a todo custo.
Todo movimento de caráter autoritário vive de alimentar fantasmas para intimidar e amedrontar a sociedade. A todo o momento, e tem se vivido isso no País, um interlocutor da classe política trava um embate, aterroriza a população com invocações das trevas imaginárias e assombrações da volta de eras partidárias anteriores, situações caóticas de crises econômicas e vitupérios contra todo e qualquer quem os contrariar.
Opositores viraram verdadeiros inimigos, a serem perseguidos até o seu fim. Para isso, a internet vira grande aliada para devastar a moral da lista de ‘persona non grata’, com foto montagens, vídeo denúncia, fake news e até ataques cibernéticos para invadir a (pouca) privacidade que ainda resta aos rivais. Grandes aliados dos governos, a pouco instantes vistos como heróis, momentos depois passam a ser o ‘Judas Iscariotes’ da trama.
Aos espectadores de todo esse embate, ou melhor, aos cidadãos brasileiros cabem escolher o seu lado. A polarização partidária tomou conta de todas as opiniões sejam ela sobre Saúde, Meio Ambiente, Economia ou Desenvolvimento Social. Quase não é mais permitido reflexões de cunho filosófico, socioeconômico, ou, até mesmo religioso, sem envolver a política partidária.  Faz se obrigatório escolher um lado, ou se ama ou se odeia. Ou é seguidor ou é o inimigo, o maligno, a ser odiado, combatido e (porque não?) destruído. É preciso salvar.
Salvar vidas, salvar a economia, os empregos, salvar o País da ameaça comunista, salvar dos neo pseudos ditadores, da volta do AI-5, dos petistas, dos tucanos, enfim, não faltam motes para serem defendidos, idolatrados, afinal, “um filho teu não foge à luta (...) Brasil Ó Pátria amada!”. Os versos do hino nacional brasileiro se tornaram, verdadeiramente, a força política motriz da política nacional e a palavra “luta”, que deveria ter sentido figurado, passou a ter sentido literal.
Com tudo isso, deveria ser fundamental, aos cidadãos, estarem bem informados para discernir os diferentes fenômenos. É preciso estar vigilante, com informação precisa e confiável, especialmente neste tempo de massivas campanhas de desinformação nos meios digitais. Não é por meio de videozinhos de políticos pelas redes sociais ou por lives que a população deve se informar. Nelas, sempre haverá apenas um lado da história, uma única versão, totalmente parcial. Essa desinformação põe em risco a própria capacidade da sociedade em se inteirar sobre o que realmente está acontecendo. É a velha tática utilizada pelos regimes autoritários, mas que se tornou tão comum em todas as esferas políticas, sejam municipais, estaduais ou federais.

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