28 Nov 2021

Publicado em Editorial
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“O momento do Brasil demanda de todos nós espírito público, unidade, agregação, somar e não dividir, não deixar nenhum interesse pessoal sobrepujar o interesse coletivo”, escreveu Bruno Covas, dois dias antes de morrer, aos 41 anos, após uma longa batalha contra um câncer no sistema digestivo, desde outubro de 2019.
A mensagem de seus últimos dizeres não poderia ser mais adequada ao atual momento político que o país atravessa. Além dos desafios impostos pela pandemia do novo coronavírus, com números alarmantes, na Saúde e na Economia, os brasileiros assistem estarrecidos, diariamente, aos novos episódios da disputa eleitoral, que acontecerá apenas no final de 2022, mas que já incendeia o noticiário político e norteia as ações de muitos políticos do país.
Bruno Covas, neto do ex-governador de São Paulo Mário Covas (1930-2001), nasceu em Santos no dia 7 de abril de 1980. Na vida pública, foi eleito, por duas vezes, como deputado estadual (2006 e 2010), deputado federal (2014), além de ter sido secretário estadual de Meio Ambiente (entre 2011 e 2014) do ex-governador Geraldo Alckmin. Em 2016, foi eleito vice-prefeito de São Paulo. Assumiu o cargo de prefeito em 2018, com a renúncia do então prefeito João Doria, eleito governador do Estado. Em novembro do ano passado, foi reeleito prefeito da Capital, exercendo a função até o dia 2 de maio, quando se licenciou para tratar da saúde. Faleceu no domingo (16).
Bruno deixará a marca de fazer política com bom humor e leveza. Adversários políticos ressaltaram que Covas conseguia fazer a disputa política sem ódio e embates pessoais. Durante a campanha, nas eleições do ano passado, Guilherme Boulos (PSOL), que enfrentou Covas no segundo turno das eleições de 2020, para a Prefeitura de São Paulo, afirmou que os dois tinham contatos diários e, mesmo nos momentos mais difíceis, conseguiam manter a campanha longe dos ataques e dentro da civilidade política.
O político tinha um futuro promissor, se destacava pela maneira equilibrada e sensata com que conduzia o jogo político. “Meu avô dizia que é possível conciliar política e ética, política e honra. Agora, acrescento, é possível fazer política sem ódio, fazer política falando a verdade”, disse em seu discurso de vitória do segundo turno das eleições à Prefeitura de São Paulo, em 2020. Muito provavelmente chegaria, com facilidade, ao comando do Palácio dos Bandeirantes, nos próximos anos.
No PSDB, Bruno tinha um papel de protagonista. Atuava de maneira equilibrada e amistosa no partido, que enfrenta uma divisão com vistas à sucessão eleitoral de 2022, fazendo uma ponte entre os fundadores da sigla e a renovação.
O que o Brasil vive hoje, Covas anteviu, ainda como deputado, em 2016, quando votou a favor do impeachment da então presidente, Dilma Rousseff. “Vivemos uma crise social, semearam uma divisão no país (...) Ao semearem a divisão para se perpetuar, estamos hoje colhendo raiva e intolerância. Além da crise política, crise econômica, crise social, temos a crise moral. Aí sobram exemplos negativos e faltam bons exemplos a serem seguidos”.
Ainda assim, bem que os políticos e muitos brasileiros poderiam fazer valer as palavras, proferidas por Covas em discurso de posse na Prefeitura de São Paulo, em 2021: "o negacionismo está com os dias contados. Prevalecerá o diálogo, a conversa, a construção coletiva, a compreensão de que há mais em comum entre nós do que as nossas visões distintas nos separam (...) O momento exige união. O vírus do ódio e da intolerância também precisam ser banidos da sociedade (...) Por isso é fundamental conversar de forma generosa e aceitar as diferenças. Ninguém pode ser dono da verdade". A força, o foco e a fé de Bruno Covas jamais serão esquecidos.

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