18 Jun 2024


Mais uma tragédia com a mesma ineficiência

Publicado em Editorial
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   A tragédia climática que acometeu o Rio Grande do Sul é um dos maiores e mais terríveis desastres naturais já ocorridos no Brasil, pela extensão e número de afetados. As fortes chuvas que atingem o estado já deixaram mais de 100 mortos, 132 desaparecidos e 374 feridos até quinta (8).
   Os temporais, que começaram no dia 27 de abril, ganharam força no dia 29 e afetaram mais de 1,47 milhão de pessoas em território gaúcho, de acordo com a Defesa Civil. Dos 497 municípios no total, 401 municípios foram afetados com algum problema relacionado ao temporal.
   Em Porto Alegre, o cenário é caótico. De acordo com a Prefeitura, o desabastecimento de água potável afetou mais de 70% da população, em virtude do não funcionamento de quatro das seis estações de tratamento. Em diversas cidades os artigos de primeira necessidade se esgotaram e a maioria das estradas seguem bloqueadas.
   De acordo com a Defesa Civil, 230,4 mil pessoas estão fora de casa. Desse total, são 67,4 mil em abrigos e 163,7 mil desalojados (pessoas que estão nas casas de familiares ou amigos). O RS tem 425 dos seus 497 municípios com algum relato de problema relacionado ao temporal, com 1,476 milhão de pessoas afetadas.
   Essa tragédia, mais uma vez, reforça o que já é sabido. A natureza alertando sobre a emergência climática devido a todos os estragos, desmatamentos, poluição e outras ações de violência e violação. Com isso, também fica evidente a ineficiência dos governos em ações preventivas se limitando, em quase todos os episódios de tragédias nacionais, a atuarem quando o pior já aconteceu, quando vidas já foram ceifadas e quando os estragos já resultaram dor e sofrimento para milhares de pessoas.
   Qual governo estadual ou municipal está preparado, de maneira efetiva e assertiva, para enfrentar a fúria da natureza? Talvez nenhum deles. Políticas públicas para minimizar os efeitos da fúria da natureza têm sido tão negligenciadas no País.
   Essa não foi a primeira, nem será a última tragédia que escancara o despreparo dos governantes brasileiros contra as consequências das mudanças climáticas. Muito se debate sobre a sustentabilidade, a resiliência, a preservação da natureza, em eventos que viram verdadeiros palanques políticos para expor ações de marketing que só se encaixam em cenários utópicos, para serem exibidas como peças de governos “perfeitos”, mas que na realidade são os mesmos que autorizam que árvores sejam suprimidas, diariamente, nos municípios para beneficiarem fachadas comerciais de “amigos” de membros do governo, ou outros “amigos” que reclamam que as folhas das árvores causam sujeira nas suas calçadas.
   O pensamento arcaico é sempre o mesmo: o de que (só) uma árvore não fará diferença, pois se plantará mudas como “compensação”. Porém, o local para o plantio das “mudas” nunca é informado, mesmo quando demandado, e não se tem o conhecimento mínimo para avaliar que uma muda de árvore demorará, no mínimo, uma década, para compensar a árvore “adulta” que foi suprimida.
   O Brasil já registrou o maior número de desastres naturais em 2023, segundo dados apresentados pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Foram registrados 1.161 eventos de desastres, sendo 716 associados a eventos hidrológicos, como transbordamento de rios, e 445 de origem geológica, como deslizamentos de terra. Na média, foram registrados pelo menos três desastres por dia. O número supera os registros de 2022 e 2020.
   Certamente, esses números só irão aumentar, cada vez mais, pois os governantes ainda continuam fazendo o mesmo de sempre: remendando os estragos, arrecadando donativos, agindo com atraso, de maneira ineficiente e com notório despreparo. Discute-se o que fazer, o que mudar, até o noticiário mudar o enfoque e tudo ficar, mais uma vez, para trás, até a próxima desgraça acontecer e tudo se repetir. Quando nossos governantes vão, enfim, acordar?

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