30 Mar 2020

Publicado em José Renato Nalini
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O Brasil foi o último país da América a abolir a escravidão. Era uma vergonha submeter seres humanos a um trabalho forçado, sem remuneração e sem quaisquer direitos.
Abraham Lincoln, considerado o verdadeiro emancipador do cativeiro nos Estados Unidos, enfrentou problemas que geraram a Guerra Civil. Pessoalmente, não admitia esse estágio inferior da racionalidade humana. Em carta endereçada a um cidadão do Kentucky, escreveu: “Sou por índole contrário à escravidão. Se ela não for uma injustiça, que haverá de injusto? Não me recordo de ter pensado de outro modo em nenhum período da minha vida. Entretanto, nunca me persuadi de que a presidência me outorgasse um direito ilimitado de agir publicamente de acordo com as minhas ideias e sentimentos. Jurei conservar, proteger e defender, com todas as minhas forças, a Constituição. Sem este juramento, não poderia assumir o meu cargo. No entanto, o meu propósito não era pronunciá-lo, a fim de conseguir o poder, para o renegar depois, no exercício deste poder. Tinha consciência de que, em tempo de paz, o juramento vedar-me-ia praticamente agir, segundo a minha opinião abstrata, no que concerne à escravatura. Teremos, porém, o direito de perder o país, para defender a Constituição?”.
Esse o drama de um governante sério. Entre apagar a mancha suja da história e seguir a Constituição, o conflito era evidente.
O Brasil deve muito a Luiz Gama, Joaquim Nabuco, Rodrigues Alves e à própria família imperial. Que perdeu o trono após a abolição. Mas o custo-benefício da libertação valeu a pena. Pedro II chegou a dizer: “Crê que haja alguém no Brasil que deseje a abolição mais ardentemente do que eu? Ninguém; e os primeiros a saberem como eu penso são os que estão à frente do belo movimento da emancipação”. Sem dúvida tinha presente a fala do “pai do evolucionismo” quando entre nós. Com efeito, Darwin, quando esteve no Brasil, afirmou que não pretendia voltar nunca mais a um país que “se movia à custa do sangue e do suor escravo”.
Aquilo que se desenvolveu no final do século XIX parece acontecer, sob outra vertente, no primeiro quartel do século XXI. Não há a escravidão em sentido estrito, juridicamente aceita. Mas há a escravidão da miséria, da indigência, da ignorância.
Não seria bom ter presente, em todas as mentes lúcidas, a lição de Joaquim Nabuco? Ele pretendia “a anistia, o esquecimento da escravidão; a reconciliação de todas as classes; a moralização de todos os interesses; a garantia da liberdade e dos contratos; a ordem nascendo da cooperação voluntária de todos os membros da sociedade brasileira”. Era disso que o Brasil precisava em 1888 e continua a precisar em 2019.

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