17 Jan 2018


A França não quer menos dias letivos

Publicado em José Renato Nalini
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A educação é o assunto recorrente em todo o globo. A majestosa França, berço do iluminismo, que legou ao mundo a tríade mágica da legalidade, igualdade e fraternidade, está às voltas com problemas na sua rede pública.
Questões econômicas fizeram com que a República entregasse aos municípios a responsabilidade de fixar o ritmo escolar do ensino oficial. Uma das propostas, calcada em economia, é a semana de 4 dias. As aulas se desenvolveriam de segunda a quinta-feira e às sextas-feiras os alunos estariam livres.
Vozes autorizadas se opuseram à sugestão, com carta aberta aos Prefeitos publicada na página dos debates do "Le Figaro" de 11 de outubro. Salientam que a decisão é muito grave. A França já é o país europeu em que a duração do ano escolar é a mais curta: em 2014, com os facultativos e feriados, foram 162 os dias letivos. Os demais vizinhos desenvolvem programa escolar em 180 ou 200 dias. Este último parâmetro é o adotado no Brasil.
Se a semana de quatro dias vier a ser aprovada, serão 35 dias letivos menos, o que fará com que o ano escolar francês atinja 127 dias. Sustenta-se que os filhos de professores ou de pessoas bem providas de recursos financeiros e materiais não sofrerão tanto. Mas para a pobreza, o golpe será fatal.
Um dos argumentos contrários é que a ava-liação PISA não reserva o melhor lugar para a França. Mas se a semana de quatro dias vier a ser adotada, ela com certeza irá para os últimos dentre os avaliados pela OCDE.
Enquanto isso, no Brasil a tendência é aumentar o tempo de permanência do aluno na escola. Não, necessariamente, para contar com mais aulas expositivas no contraturno. Mas para desenvolver outras atividades, pois a formação entregue à escola não se faz exclusivamente com preleções, já que o conhecimento nunca esteve tão disponível e tão acessível a todos. O mais importante é propiciar ao alunado o contato com a realidade, com o mundo do inesperado, preparando-o para um futuro em que tudo será diferente, embora não possamos afirmar, com segurança, em que consistirá essa diferença.
O bom, por enquanto, é que aqui ninguém fala em encurtar o período de aulas. Com um aspecto que não deve preocupar a França, mas que para o Brasil é uma realidade: grande parcela do alunado da Rede Pública também não pode prescindir da alimentação nutritiva, balanceada e super controlada em várias instâncias, que se oferece gratuita e abundantemente a cada estudante na escola pública. A redução de jornada significaria perda significativa no integral desenvolvimento da criança brasileira.

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