05 Mar 2024

Publicado em Editorial
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   A crise climática já não é um problema do futuro há muito tempo. Vive-se o caos climático em diversas, senão todas, partes do mundo. Nos últimos meses, foi possível acompanhar o calor extremo e o recorde de temperaturas elevadas em países da Europa, nos Estados Unidos, além da intensificação de desastres naturais como chuvas torrenciais, ciclones tropicais, furacões, inundações, incêndios florestais, entre outros.
   O rastro deixado por esses desastres naturais é de centenas ou milhares de mortes. No Brasil, a situação não é diferente. O início da primavera já foi preocupante, as temperaturas em diversas cidades brasileiras passaram dos 40°.
   O temor deveria crescer à medida que seus efeitos se acentuam de forma assustadora, como já vem ocorrendo, mas muitos políticos e empresários ainda não se atentaram de que não é um problema para amanhã, onde haverá discussões, reuniões e boas intenções para que venha a se fazer algo. A gravidade exige que se faça algo hoje, agora, já.
   Os compromissos com a sustentabilidade e o clima entraram, oficialmente, na pauta global em 1992, com a Conferência das Nações Unidas no Rio de Janeiro (Eco-92). Nesses 31 anos o mundo defende formas de frear o aquecimento global, impondo o limite de 1,5°C ao aumento anual da temperatura, sob risco de os desastres climáticos tornarem inabitável o planeta.
   Apesar da apreensão global, o ponto crucial de inflexão ainda passa longe de ser atingido. Há falta de ações efetivas. A pauta ambiental ainda passa longe da prioridade de muitos políticos, inclusive da região do ABC. Não há coletivas de imprensa que abordem o tema, projetos específicos nem nenhuma ação que possa colaborar com o caos climático que já vivemos. Ou alguém acha normal que no mesmo dia haja uma variação térmica de mais de 10°, tendo que usar roupas de inverno, por exemplo, em plena primavera? Em todo o ABC, principalmente em Santo André, árvores são suprimidas por todo e qualquer motivo, com autorização do poder público. Também não há acompanhamento do estado de saúde das mesmas, para evitar que sejam arrancadas. Falta consciência ambiental.
   Com relação à parte empresarial, grande parte do planejamento de compromissos e metas se exprime mais em propaganda e retórica do que na aplicação efetiva de recursos.
   Muitas empresas elevam a questão ambiental ao patamar de prioridade, mas perseguem metas de retorno e de redução de custo em primeiro lugar e não estão preparadas para, eventualmente, aceitar retornos financeiros mais baixos como resultados.
   Duzentas e seis multinacionais nos Estados Unidos, Europa e Brasil foram pesquisadas pela consultoria Oliver Wyman e pela Climate Group, ONG que possui escritórios em Londres, Nova York, Amsterdam e Pequim. Mais da metade das grandes companhias ouvidas (56%) investe menos de 5% de seus recursos operacionais em medidas destinadas ao combate e prevenção da crise climática.
   O atual estágio de caos climático exige investimentos em larga escala. Não adianta, por exemplo, as empresas instituírem metas ambiciosas de redução de carbono até 2030. É necessária a construção de negócios que prosperem num mundo descarbonizado. Não se trata mais de escolha e muito menos que isso seja anunciado como um diferencial pela empresa. É imperativo avançar. Estamos atrasados. Chega de mais “maquiagem verde” (greenwashing). Agora, é correr contra o tempo para evitar que o planeta se torne, brevemente, inabitável.

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