28 Nov 2021


Doenças cardiovasculares são responsáveis por 30% das mortes no país

Publicado em Saúde
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As doenças cardiovasculares são uma espécie de “pandemia permanente” cuja “vacina” atende pelo nome de prevenção e são endêmicas no Brasil, há algumas décadas. Segundo dados da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo – SOCESP, elas são responsáveis por cerca de 30% de todas as mortes no país, o que corresponde a 400 mil óbitos por ano. Destaque para o infarto e o acidente vascular cerebral (AVC), que ocupam o primeiro e segundo lugares desse sub-ranking, respectivamente. O principal vilão aqui é a dislipidemia (anomalias nos níveis de gordura no sangue, como o colesterol elevado), por trás de 51% dos infartos.

A edição mais recente da Diretriz de Prevenção Cardiovascular revelou que as taxas de mortalidade estavam diminuindo no Brasil – possivelmente como resultado de políticas de saúde bem-sucedidas – mas o número total de pacientes vinha aumentando, principalmente devido ao envelhecimento e adoecimento da população.

“A partir do ano passado, o medo da infecção pela Covid-19 fez muitos cardiopatas, cerca de 14 milhões de pessoas, desfocarem do problema. O resultado foi o abandonado de tratamentos clínicos ou cirúrgicos, atividades físicas deixadas de lado, alimentação desequilibrada, descontrole de peso, da pressão arterial, do colesterol e do diabetes e até o excesso do consumo de cigarros”, contextualiza o presidente da SOCESP, João Fernando Monteiro Ferreira (foto), que completa: “para alguns, a crise sanitária foi uma desculpa para o abandono de cuidados, que precisam ser mantidos para manter as doenças cardiovasculares sob controle”.

Em setembro, mês do Dia Mundial do Coração (29/09), a SOCESP deflagra uma campanha de orientação e conscientização sobre a importância de não abandonar o tratamento e os cuidados preventivos. Serão vídeos informativos, podcasts, entrevistas com especialistas, postagens nas mídias sociais, no site da SOCESP, entre outros.

Escore de risco cardiovascular

“A sociedade e os governos têm que se conscientizar de que a ‘epidemia coronária’ também precisa ser encarada como inimiga a ser combatida”, conclama o presidente da SOCESP. Segundo ele, a vantagem é que os vilões cardiovasculares podem ser desarmados antes de entrarem em campo e uma das armas é a identificação dos indivíduos que não apresentam sintomas. Para o cardiologista, a partir do diagnóstico é possível iniciar um trabalho de prevenção efetivo, com a correta definição de metas terapêuticas.

João Fernando explica que cada paciente tem uma característica própria e níveis de gravidade em relação às doenças cardiovasculares. Para isso, os cardiologistas definiram quatro níveis de escore de risco, que inclui a possibilidade de ocorrência de eventos coronarianos, cerebrovasculares, doença arterial periférica ou insuficiência cardíaca (IC), nos próximos dez anos. São eles:

- Risco muito alto: para aqueles que apresentam doença aterosclerótica significativa (coronária, cerebrovascular ou vascular periférica) com ou sem sintomas;

- Risco alto: pacientes com aterosclerose subclínica (sem sintomas), aneurisma de aorta abdominal, doença renal crônica e LDL (colesterol “ruim”) elevado;

- Risco intermediário: portadores de diabetes mellitus (DM), sem doença aterosclerose ou doença renal;

- Risco baixo: pessoas em risco intermediário, mas não diabéticos, sem histórico familiar de doença coronariana prematura.

Para mudar esse cenário global, a SOCESP também encaminhou ao Ministério da Saúde sugestões para ampliar a proteção cardiovascular da população. As propostas da entidade são a aferição do colesterol em crianças e adolescentes (a partir dos 10 anos); o uso de tecnologias que permitam diagnósticos precoces na saúde pública; ampliação do quadro de vacinas, como a da gripe – que podem ter ação preventiva para infarto; além de campanhas de conscientização por dietas saudáveis e sobre a importância de colocar o corpo em movimento. “Essas são as ‘vacinas’ baratas, se compararmos aos custos sociais, emocionais e financeiros que as doenças cardiovasculares representam para toda a sociedade”, concluiu o cardiologista.

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