Editorial

Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, celebrado no último dia 3 de maio, costuma ser marcado por ações e declarações sobre a importância do jornalismo. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 1993, com o objetivo de defender a existência de uma imprensa livre, independente e plural como condição fundamental para a vida democrática.
Infelizmente, a data também trouxe à tona uma situação alarmante. A liberdade de imprensa no mundo atingiu em 2026 o seu nível mais baixo em 25 anos, com mais da metade dos 180 países avaliados, segundo levantamento do Repórteres Sem Fronteiras (RSF), apresentando situações “difíceis” ou “muito graves” para o jornalismo.
A média global caiu abaixo de 55 pontos, destacando um declínio contínuo devido a pressões políticas e econômicas. Pela primeira vez na história do índice, mais da metade (52,2%) dos países estão nas categorias piores (difícil/muito grave).
O Brasil subiu para a 52ª posição, subindo 11 posições desde o último levantamento e, pela primeira vez, ultrapassou os Estados Unidos (64ª posição). Já os EUA registraram queda pelo quarto ano consecutivo, indo da 42ª posição em 2022 para a 64ª em 2026.
A constatação mais grave também foi feita: menos de 1% da população mundial vive em países onde a situação da imprensa é considerada “boa”.
Alguns dos motivos apontados como causas desse declínio mundial da liberdade de imprensa estão relacionados à pressão política, ou seja, governos autoritários e líderes políticos interferindo na informação; atores econômicos que geram pressão financeira e concentração de mídia e ainda regulação de plataformas, com insuficiência na regulação da desinformação.
Em países onde há polarização política e alternância entre poderes que disputam para se perpetuar no poder, como no Brasil, a situação é ainda mais delicada.
A imprensa e os jornalistas são, frequentemente, retratados como “inimigos” da população por muitos políticos, que fazem uma narrativa comum com o intuito de manipular o debate público e mobilizar apoiadores.
Assim, não economizam ataques à imprensa e os jornalistas, seja por meio de ofensas, abusos verbais, humilhações e até agressões físicas, como os casos recentes dos repórteres Pedro Corsini, agredido, ao vivo, no rosto durante cobertura ao vivo sobre queda de avião em Belo Horizonte (MG) e de Heloísa Vilella, que foi hostilizada no Salão Verde da Câmara dos Deputados. Relatório da ABERT de 2025 registrou 66 casos de violência não letal, com agressões físicas liderando, evidenciando riscos ao exercício da profissão.
A estratégia política de controle da narrativa pública busca desacreditar o jornalismo profissional e blindar figuras políticas de escrutínio.
Com os “lados” que dividem o Brasil, muitos jornalistas são acusados de serem comunistas, outros de serem militantes vorazes do outro lado. De fato, a tarefa da imprensa não é escolher um dos lados no espectro político.
A imparcialidade e independência são princípios morais do jornalismo e são valores indissociáveis à credibilidade de um jornalista. Só uma escolha a ser feita: a escolha pela neutralidade e a responsabilidade de conteúdo por tudo que seja escrito e publicado.
A imprensa deve contribuir para fortalecer e não fragilizar, ainda mais, a democracia.

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