Editorial

Poluição do ar mata 7 milhões de pessoas por ano

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou que é preciso reduzir com urgência as emissões de dióxido de carbono, de carvão negro, do gás metano e outros po-luentes que contribuem para o aquecimento global e causam mortes.
Relatório divulgado pela agência destacou que esses gases contribuem para a morte prematura de mais de 7 milhões de pessoas por ano em razão de problemas de saúde ligados à poluição do ar, sendo 4,5 mil são na cidade de São Paulo e cerca de 18 mil mortes na Região Metropolitana de São Paulo.
Pela primeira vez, a OMS recomendou aos governos federais ações que levem à redução e emissão desses gases. Sugeriu que os governos federais possam ofertar combustíveis mais limpos e tecnologias que favoreçam a rotina da população com menos recursos.
Em palestra na Next Mobilidade, em São Bernardo, para celebrar 18 anos do Corredor ABD Verde, o professor-doutor titular do Departamento de Patologia da USP, Paulo Saldiva, revelou que dentro dos principais corredores de tráfego das cidades, o nível de poluição é mais ou menos 4 a 5 vezes maior do que a média da cidade.
Ou seja, é como se quando estivéssemos parados no trânsito fumássemos cerca de 0,7 cigarros por hora. Ficar 3 horas por dia parado nos congestionamentos equivale a fumar dois cigarros.
Apesar das constatações serem alarmantes, elas ainda não norteiam e, pelo visto, não vão pautar tão cedo, as políticas públicas municipais. Nem a poluição do ar, ou até mesmo, da água, é tema presente nos discursos dos políticos locais, apesar delas geraram doenças respiratórias e mortes.
De acordo com relatório Condição Glo-bal do Ar, elaborado pela Unicef e o Instituto de Efeitos na Saúde, apenas a hipertensão está acima da poluição do ar como fator de risco de morte. A má qualidade do ar é a causa de 30% das doenças respiratórias e cardíacas e de 48% das mortes por doença pulmonar obstrutiva crônica.
Cerca 90% das mortes por poluição atmosférica global são atribuídas a partículas finas PM 2,5, presentes no ambiente e no ar doméstico e geradas por veículos a diesel, fábricas, queima de carvão e madeira. Essas partículas são tão pequenas que permanecem nos pulmões e podem entrar na corrente sanguínea.
Pesquisa do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP) revelou que até o ar do interior paulista foi afetado pela poluição, mas de pesticidas associados ao risco de câncer. Em Piracicaba, a concentração foi superior à registrada em São Paulo e no polo petroquímico de Capuava, entre Mauá e Santo André. Em Piracicaba foi detectado um nível mais alto de atrazina, um composto usado para controle de pragas. Na Capital e na industrial de Capuava, o estudo mapeou o malationa e permetrina, também houve registro de alta exposição diária ao heptacloro, que, embora seja proibido há anos no Brasil, ainda está presente no ar.
A poluição é invisível aos olhos humanos e continua sendo tratada de maneira invisível pelos políticos. É preciso urgência para combater esse problema silencioso de saúde pública, mas que tem avançado e matado milhares de pessoas.