Não há dúvida de que Paranapiacaba é uma reserva diferenciada em meio ao crescimento desordenado da urbanização na região metropolitana de São Paulo. O pequeno vilarejo formado há aproximadamente 160 anos durante a construção da ferrovia Santos-Jundiaí, possui um imobiliário em estilo inglês entre a vegetação da mata atlântica e um clima que varia do calor intenso a densa neblina. O fenômeno acontece diariamente em poucos minutos.
Foi com o objetivo de contar essa história e mostrar a atual vila ferroviária pertencente a Santo André que aceitei com muita honra participar da 2ª Semana do Patrimônio de Santos, na última semana. O evento intitulado “Instrumentos de Financiamento da Preservação” foi realizado na Associação Comercial local com presenças de especialistas, instituições e representantes do poder público.
Como subprefeito de Paranapiacaba e Parque Andreense e palestrante compartilhei os desafios de preservar a vila ferroviária para o público santista. Santos é vizinho de Paranapiacaba, separado apenas pela Serra do Mar. Há um ponto de Paranapiacaba que é possível avistar o litoral.
Por isso, mostrar como está hoje esse cantinho turístico é fundamental. Há dez anos dava pena de ver o patrimônio destruído, em estado de degradação pela ação do tempo e falta de investimentos para recuperação. Quatro décadas de abandono para nossa tristeza. Os turistas sequer cogitavam visitar o lugar.
Foi necessário debruçar nos erros do passado para desdobrar novos caminhos.
O primeiro passo foi montar uma equipe de arquitetos voltada para o projeto do PAC Cidades Históricas (Programa de Aceleração do Crescimento, do governo federal), visando o restauro dos imóveis. Para a manutenção dos imóveis mais conservados usamos recursos do Fundo Municipal de Paranapiacaba. O resultado desse planejamento foi um aumento de verba anual de R$ 500 mil para R$ 1,2 milhão, adquiridos principalmente pela obtenção de aluguéis. Sem esquecer os convênios que foram sendo firmados para a revitalização de cada equipamento.
Ressalto aqui os R$ 60 milhões de investimento total, sendo R$ 30 milhões da União, através do convênio com o Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional); R$ 20 milhões da Prefeitura; e R$ 10 milhões da iniciativa privada e demais parceiros. Estão previstos mais R$ 150 milhões para futuras intervenções.
Aos poucos os restauros foram sendo realizados. Já devolvemos para uso da comunidade o Cine Lyra; o Museu Castelinho; a Torre do Relógio e a Estação do Expresso Turístico; o primeiro campo de futebol do Brasil com medidas oficiais; a Igreja Bom Jesus de Paranapiacaba; o Auditório Barão de Mauá, onde antes era um imóvel que perdeu-se totalmente no incêndio em 2007; a Capela de Campo Grande; os Galpões; a Cabine de Sinais e de Comando.
Temos ainda um longo caminho a percorrer. Algumas obras estão em andamento, como o restauro da centenária passarela que liga as partes alta e baixa da Vila; e as reformas de 34 imóveis em processo de iniciação. Outros projetos deverão ser executados no futuro na região, tais como o Clube União Lyra Serrano, o Pátio Ferroviário, o Museu Funicular; o viaduto de Campo Grande; e a pavimentação da estrada de terra que leva os turistas até Paranapiacaba.
Tudo isso faz parte de um projeto ainda maior: a conquista do título de Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).
Quero agradecer ao prefeito de Santo André Gilvan Ferreira por representar a cidade neste evento; ao secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade de Santos, Glaucus Farinello pelo convite; e a arquiteta e conselheira do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos, Marina Guimarães Destro.
Espero que a nossa experiência sirva de modelo para outras cidades que almejam tornar a história inesquecível na memória de todos, traduzindo num turismo valorizado e sustentável.
Estamos focados cada vez mais no engrandecimento de Paranapiacaba!












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