Faltam poucos dias para o brasileiro ir às urnas e definir o próximo presidente da República, governador, senadores e deputados, federais e estaduais, para os próximos quatro anos. Novamente, o país se encontra da mesma maneira, dos pleitos anteriores, totalmente dividido.
A intensa radicalização gerada pela polarização política tem deixado traços tenebrosos no país. De um lado há insatisfeitos com o atual governo, seja devido a fatores econômicos, por ser de um partido que não está alinhado com seus ideais, ou inúmeros outros motivos; do outro lado, o temor pelo extremismo, pela ameaça à democracia, etc. Não faltam argumentos consistentes, de ambos os lados, para declarar guerra a toda e qualquer pessoa que não esteja alinhada com a mesma maneira de se pensar.
As diferentes vertentes políticas resultam em desentendimento e brigas entre amigos e familiares e, nas redes sociais, muitos bloqueios daqueles que não toleram ler, ouvir ou ter contato com nada que soe divergente do que se pensa ou acredita.
A polarização política no Brasil começou de forma mais evidente nas eleições presidenciais de 2014. Embora o país já vivesse uma divisão tradicional entre PT e PSDB, desde a redemocratização, foi no pleito de 2014, marcado pela acirrada disputa entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), seguida pelas repercussões da Operação Lava Jato – que o conflito partidário transbordou para a sociedade.
A radicalização da polarização política foi intensificada nas eleições de 2018 e 2022. O fenômeno se transformou em uma “polarização odiosa” nas eleições seguintes com o bolsonarismo contra petismo e seus famosos jargões “nós contra eles”, “o bem contra o mal”, etc. Assim, o adversário político passou a ser visto não apenas como alguém com ideias diferentes, mas como um inimigo de existência.
Essa situação, evidentemente, se tornou altamente atraente para os marqueteiros políticos explorarem nas campanhas eleitorais. Ambas as vertentes utilizam discursos que desumanizam ou deslegitimam o oponente. Quando o adversário não é visto apenas como alguém com ideias diferentes, mas como o “mal”, o diálogo e o consenso democrático tornam-se quase impossíveis.
Assim, transformar a política em uma batalha moral é uma estratégia eficaz para mobilizar e engajar bases eleitorais de forma rápida e passional, frequentemente alimentada por redes sociais e algoritmos que amplificam discursos.
Como se tudo isso não bastasse. A nível regional, no ABC, ainda há disputas e rachas entre os grupos políticos locais. Grandes aliados de eleições anteriores, hoje, estão em lados opostos e travam uma verdadeira batalha em busca de apoiadores e, claro, votos. Não faltam indiretas e cutucões nos discursos políticos – sem citar nomes, claro -, mas quem acompanha as movimentações sabe muito bem o nome e sobrenome do destinatário.
Há grupos políticos lançando três candidaturas, para o mesmo cargo, para tirar votos do adversário, em um município; ou-tro, apoiando candidatos da cidade vizinha. Há, ainda, candidatos com base eleitoral no ABC, buscando a maioria dos votos pelo interior do Estado e, outros, marcando eventos no mesmo dia e horário do oponente, para testar apoiadores e a imprensa. Isso sem falar que, neste período eleitoral, todos os políticos estão com os nervos à flor da pele.
No meio de todas essas disputas pelo po-der, os interesses da população, como segurança, saúde ou educação parecem ficar em segundo plano. Até quando o Brasil vai viver essa polarização odiosa?












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