Editorial

A invasão dos windbanners no ABC

Neste período eleitoral, ocorre uma verdadeira invasão dos windbanners, também conhecidos como flag banners, nas principais ruas e avenidas das cidades do ABC. Seja nos gramados centrais, nos canteiros ou rotatórias, as estrutu-ras com nomes e números de candidatos passaram a disputar espaço e a atenção de motoristas e pedestres.

   Os windbanners substituem outros formatos antigos de propaganda, como o uso de cavaletes e a pintura de muros, que agora são proibidos.

    Os artefatos começaram a aparecer de forma singela, nas eleições de 2020 e 2022, mas se consolidaram e dominaram as ruas como grande febre nacional nas eleições de 2024.

   Embora estejam espalhados pelas ruas, os equipamentos não podem ser instalados indiscriminadamente. A legislação proíbe propaganda eleitoral em bens públicos e de uso comum, como postes, sinalização de trânsito, viadutos, passarelas, pontes, pontos de ônibus e outros equipamentos urbanos.

   O uso do windbanner sem campanhas eleitorais é permitido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), desde que siga regras rígidas para evitar irregularidades. Devem funcionar como bandeiras móveis, não podendo ser fixados de forma permanente ao solo e precisam seguir o horário permitido, sendo obrigatória a retirada entre 22h e 6h, nas vias públicas.

   Entre as normas também está a de não atrapalharem ou bloquearem o trânsito de pedestres e de veículos, mas essa é uma regra que não é cumprida por boa parte dos candidatos e isso tem irritado pedestres e motoristas, não só do ABC, mas de diversas regiões do país.

   Moradores de várias cidades criticam a poluição visual gerada pelos artefatos com a alteração da paisagem urbana e o excesso de cores e nomes de candidatos nas ruas. Além disso, os locais preferidos para instalação pelas equipes dos candidatos são, na maioria das vezes, cruzamentos de vias ou esquinas, o que gera, para os motoristas, bastante dificuldade de atravessar os entroncamentos das ruas e avenidas, pois o posicionamento inadequado reduz o campo de visão de quem está dirigindo o veículo.

   Para os pedestres, a situação é ainda pior, cadeirantes e pessoas com carrinhos de bebê encontram dificuldades quando as calçadas são tomadas pelas bases dos suportes.

   Nas redes sociais não faltam vídeos de motoristas bastante incomodados com os windbanners que são instalados bem nas esquinas e cruzamentos, atrapalhando a visualização do trânsito local. Todos lotados de comentários como: “Ninguém merece tanto windbanner poluindo visualmente nossa cidade” e “A cidade está um lixo, é irritante todos os dias circular por nossas ruas e ver essa poluição visual”. Um perfil popular de São Caetano até lançou uma campanha virtual: “Não vote em candidatos dos windbanners”, tamanha a insatisfação com os equipamentos na cidade.

   Para os organizadores das campanhas eleitorais, os windbanners são apontados como boas soluções para a campanha porque são estruturas móveis, chamam a atenção de motoristas e pedestres, sem a necessidade de investimento na contratação de cabos eleitorais para agitar as bandeiras por várias horas seguidas.

   Porém, para grande parte da população, de qualquer cidade, os equipamentos não agradam e podem gerar efeito inverso ao pretendido pelo candidato, ao invés de ganhar mais votos, pode perdê-los. Isso, sem falar no destino dos windbanners após as eleições. Em tempos de caos climático, onde serão descartados esses milhares de materiais com o fim do período eleitoral?

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