1 milhão de visualizações, 500 mil seguidores. Quem nunca não se impressionou, ainda que momentaneamente, com as visualizações e número de seguidores de determinado político, profissional ou empresa? Mas, afinal qualidade e competência técnica podem ser mensurados pelo número de seguidores ou visualizações?
A avaliação de um profissional pelo número de seguidores é uma prática comum no universo online, mas que, frequentemente, confunde popularidade com competência técnica. Como uma espécie de atalho mental, o cérebro humano utiliza a quantidade de seguidores como um sinal rápido de autoridade ou fama. Assim, perfis grandes passam a sensação de que o profissional é testado e aprovado por muitas outras pessoas. Como consequência, é gerado o “efeito manada”, ou seja, se muitos seguem, a tendência é presumir que há qualidade ali, mesmo sem analisar o trabalho real.
Outro perigo em avaliar um político, um médico ou qualquer outro profissional pelos números nas redes sociais é o que está por trás destas marcas expressivas em visualizações e seguidores. Há uma verdadeira indústria de geração de visualizações e compra de seguidores nas redes sociais, que utiliza, até mesmo, estruturas clandestinas, como fazendas de cliques e robôs, para inflar artificialmente métricas de engajamento.
Nestas chamadas “fazendas de cliques” há centenas de celulares conectados, simultaneamente, em galpões para simular acessos, curtidas e comentários reais. O objetivo é um só, a manipulação de algoritmos para enganar os sistemas das plataformas e dar falso destaque a conteúdos diversos, desde produtos, músicas, vídeos ou perfis profissionais e até de políticos. Aliado a isso há inteligência artificial, que dispõe de várias ferramentas automatizadas para reduzir o custo de produção de conteúdo em escala, desafiando as redes sociais a filtrar o tráfego legítimo do fraudulento.
A popularidade digital não indica o fator mais importante na hora de escolher, por exemplo, desde um médico para fazer uma cirurgia ou um medicamento para tratar uma doença até um veículo de comunicação para confiar e acreditar na informação ou conteúdo veiculado: a credibilidade.
A credibilidade de uma empresa, profissional ou político não pode ser medida pelos números de likes, seguidores ou visualizações. Esses números indicam apenas que o perfil sabe atrair atenção ou usar algoritmos a favor. Um médico, advogado ou engenheiro sem milhares de seguidores pode ser extremamente qualificado, focando no atendimento real, em vez das redes.
Ademais, é possível inflar números e engajamento. No Instagram, por exemplo, é possível comprar visualizações, com propostas da plataforma que variam de R$ 6 por dia, com estimativas de retorno de 2,7 mil a 5,4 mil de impressões diárias, até R$ 10.446, gerando de 4 milhões a 7,5 milhões de impressões diárias. Tudo isso definindo a duração de 7, 30 dias, ou até ser pausado manualmente. Ou seja, os números vultosos de políticos, profissionais, portais de notícias podem ser uma farsa, basta investir, pagar, e se tem o número que quiser.
Portanto, não se deixe enganar com números fraudulentos de perfis nas redes sociais. Não avalie bons profissionais por métricas e engajamentos mentirosos.












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