Leandro Petrin Opinião

Rua, rede e tela: a batalha pelo voto

A partir do próximo dia 16 de agosto, as ruas, as telas e os estúdios de rádio e televisão do país se transformam no palco de um mesmo espetáculo: a propaganda eleitoral. Costumo dizer que uma campanha vitoriosa não se resume a um único canal de comunicação com o eleitor, mas se constrói como um verdadeiro ecossistema, no qual diferentes frentes se somam e se reforçam mutuamente.
Nas ruas, a política ainda se faz de corpo presente. Faixas, adesivos em carros, bandeiras, carros de som, comícios, windbanners, caminhadas, panfletagens e carreatas compõem o repertório tradicional do chamado “corpo a corpo” eleitoral. É nesse contato direto que o candidato testa sua capacidade de mobilização e sua proximidade com o eleitorado, ainda que sob regras rígidas que buscam equilibrar liberdade de expressão e ordem pública, evitando poluição visual e sonora excessiva.
Nas redes sociais, a campanha ganha outra velocidade e outra linguagem. Páginas pessoais dos candidatos, lives, mensagens de WhatsApp aos apoiadores e impulsionamento pago de conteúdo tornaram-se ferramentas centrais para atingir públicos segmentados. A novidade desta eleição é a presença crescente da inteligência artificial, cujo uso é permitido, desde que devidamente identificado e não induza o eleitor a erro. A linha entre inovação e desinformação, nesse terreno, é cada vez mais tênue, e caberá à Justiça Eleitoral e aos próprios candidatos zelar pela transparência dessas ferramentas.
Já nos veículos tradicionais de comunicação, o debate público ganha outro tom. A imprensa escrita, mais livre para noticiar e opinar, convive com as regras mais estritas impostas ao rádio e à televisão, que devem tratamento isonômico a todos os concorrentes. É nesse espaço que se dão entrevistas, sabatinas e debates, verdadeiros testes de coerência e improviso para os candidatos, além do horário eleitoral gratuito, que segue sendo, décadas depois de sua criação, uma das ferramentas mais democráticas do processo, ao garantir tempo de exposição proporcional à representatividade de cada legenda.
Em qualquer desses palcos, porém, não se tolera a calúnia, a injúria, a difamação ou a disseminação de informação sabidamente inverídica contra candidatos, que poderão pleitear o direito de resposta sempre que forem alvo de ataque ilegal. Tal proteção não se confunde com a crítica contundente, inerente à disputa eleitoral: campanhas não são um ambiente asséptico, e o embate de ideias, ainda que duro, é parte legítima da formação da decisão do eleitor.
E por falar no eleitor, não podemos nos esquecer de que ele passou de mero receptor da mensagem eleitoral para um ator fundamental na difusão de ideias. No ambiente virtual, sobretudo, mas não apenas nele, cada pessoa pode manifestar livremente sua opinião, compartilhar sua leitura dos fatos e participar ativamente do debate público. Essa liberdade de manifestação deve ser privilegiada, e só encontra limite nos crimes contra a honra e na desinformação deliberada.
Ao longo de toda a campanha, a Justiça Eleitoral permanecerá atenta ao abuso do poder econômico e dos meios de comunicação social, zelando para que nenhum candidato converta vantagem financeira ou influência midiática em desequilíbrio ilegítimo perante os demais. O que se busca, em última análise, não é neutralizar o debate, mas assegurar que ele se desenrole em condições de paridade, preservando a higidez do processo eleitoral.
Resta, portanto, ao eleitor exercitar o discernimento diante desse mosaico de estímulos, e às campanhas, o desafio de comunicar com verdade em cada um desses palcos. Serão 45 dias em que se privilegia o livre comércio de ideias, condição indispensável para a construção de uma sociedade mais democrática e participativa. A propaganda eleitoral, afinal, não é um fim em si mesma: é o meio pelo qual a democracia se renova, ano após ano, na livre escolha de quem vota.