17 Jan 2019

Publicado em DIVANIR BELLINGHAUSEN
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Num jantar da AVCC tive o prazer de estar sentada à mesa ao lado do Airton Pinchiari e sua esposa Renata Di Falco.. Ele me Contou que era filho de uma  amiga minha dos tempos de solteira, já falecida, a Nice Barbieri que morava na Rua São Bernardo e de Luiz Henrique PInchiari, famílias tradicionais da cidade.
Conversa vai, conversa vem, me contou a história dos Pinchiari. Combinou que eu a teria melhor explicada por seu irmão Luiz Henrique. Segue então da maneira como recebi:
 
"Nasci em 1959, conheci e convivi com meu nonno Henrique Pinchiari, mas ninguém na família sabia quase nada sobre a origem do pai dele, o imigrante Antonio Pinchiaro, meu bisnonno.
Graças à Internet, pude finalmente em 2003 desvendar o mistério.
Uma história eletrizante.
Neste ano consegui contato com uma senhora na Itália chamada Emanuella Pinchiaro. Nós no Brasil não sabíamos sequer a grafia correta do nome. Tinha Penchiari, Pinchiari, Pinchiaro.
Por coincidência, meses depois deste contato, tive que fazer uma viagem de trabalho à Itália.  Era agora ou nunca.
Fui ao encontro da Sra Emanuella Pinchiaro que morava numa pequena cidade a 30km da fronteira com a Áustria.
Fui muito bem recebido. Ficaram muito surpresos. Com a ajuda deles levantamos os documentos que viriam a esclarecer mais de 100 anos de história quase perdida.
Assim, eles me levaram à cidade de Asolo, cerca de 40km de Veneza na região do Veneto.
Ali, no cartório e na igreja da pequena cidade de 8 mil habitantes,  encontramos os documentos de nascimento, casamento e imigração da família.
Antonio Pinchiaro, que na verdade se chamava Silvestro Antonio Pinchiaro, nascido naquela cidade em 20/5/1850, emigrou para o Brasil em 30 de junho de 1891. Aos 41 anos partiu com a família da esposa Maria Serraglia, e  3 filhos pequenos, Claudio, Gaetano e Maria Madalena.
Chegou ao Porto de Santos em 25 de julho de 1891, indo diretamente à hospedaria dos imigrantes na Mooca, em São Paulo. Porém ao invés de seguir para o destino normal que eram as plantações de café no interior, foi para São Bernardo e consta que morava na rua Marechal Deodoro, no trecho onde hoje está o conjunto Anchieta e trabalhava para o governo na tradução de documentos e como intérprete dos colonos italianos.
No Brasil teve mais 2 filhos, meu nonno Henrique e a caçula Angelina.
Morreu em 1911 aos 60 anos.
No Brasil houve registros do nome com algumas alterações, coisa comum na época, mas na Itália descobri que o correto era Pinchiaro.
Foram grandes descobertas mas havia uma grande surpresa no final.
Na cidade de Asolo, me levaram ao lugar onde a família Pinchiaro sempre residiu e residia até uns 30 anos atrás.  Via Belvedere é o nome da rua. Na porta de todas as casas da rua, que era sem saída, havia uma placa com o nome da família escrito. Só naquela rua as casas tinham essa placa. Perguntei à Sra Emanuella o porquê? Ela respondeu: porque era um gueto judeu. Incrédulo perguntei: por  que nossa família morava neste lugar? Ela respondeu: porque eram judeus.
Foi talvez a maior surpresa da minha vida.
Segundo a Sra Emanuella, todos naquela rua se haviam convertido ao catolicismo há muito tempo mas não podiam se mudar dali.
A origem do nome, segundo ela explicou, é a palavra hebraica " pinch" que significa comerciante ou vendedor.
Creio não ser nossa família o único caso.Curioso é que o cemitério da cidade lembra muito o da Vila Euclides, muitos sobrenomes iguais lá e aqui.
Fico à sua disposição deixando um grande abraço
Luiz Henrique Penchiari Junior "

Lembrei então que numa época da perseguição aos judeus, muitos se refugiaram em Portugal e adotaram nomes relacionados a natureza, por exemplo: Oliveira, Lima, Laranjeira, Madeira, Pereira, etc. As vezes diziam que meu Bellinghausen talvez fosse também de origem judaica. Eu dizia: Legal! Jesus também era judeu. Não importa a descendência. Importa o que nos transmitiram, o que formou nosso caráter.  
Mas sempre digo como é importante as conversas com nossos avós, pois é através deles que sabemos quem somos, de onde viemos...Saber de nossas raízes.
Um abraço, Didi

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