28 Nov 2021


A desindustrialização do ABC

Publicado em Editorial
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Ford, Mercedes-Benz, Sony, Virgin Atlantic, Nike. O que essas empresas multinacionais têm em comum? Todas fecharam fábricas ou encerraram a operação no país nos últimos meses.
Após 100 anos, a Ford decidiu encerrar a produção e fechar três fábricas. A Mercedes-Benz anunciou, em dezembro último, que deixaria de produzir automóveis na fábrica de Iracemápolis (SP), de onde saíam os modelos Classe C e GLA. A situação do mercado brasileiro e a crise, gerada pela pandemia, foram os fatores para a decisão de encerrar a produção. A Sony, após 48 anos no País, anunciou em setembro do ano passado, que iria encerrar a fabricação e venda de TVs, áudios e câmeras em meados de 2021. Em maio de 2020, a Virgin Atlantic anunciou o cancelamento dos planos de atuar no Brasil, depois de um ano de planejamento. A Nike, não deixou de operar no País, mas a operação foi vendida para o Grupo SBF, proprietário das lojas Centauro.
Tudo isso evidencia, ainda mais, o forte processo de desindustrialização, que está em curso no Brasil. Há seis anos consecutivos, o País vê o número de indústrias caírem. Segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em 2020, 5,5 mil fábricas encerraram suas atividades. Ao todo, entre 2015 e 2020, 36,6 mil empresas foram extintas, o que equivale a quase 17 unidades industriais por dia. Há seis anos, o Brasil tinha 384,7 mil estabelecimentos industriais, porém, no final do ano passado, a estimativa era de que o número tinha caído para 348,1 mil. O desempenho da indústria nacional está 14% abaixo do pico, atingido em 2011, segundo dados do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).
No ABC, o processo de desindustrialização ocorrido, desde os anos 1990, é uma realidade pouco discutida. Até o início dos anos 1990, a Avenida Industrial, em Santo André, por exemplo, tinha, como fábricas de todos os tamanhos ao longo de sua extensão. Atualmente, o que se vê pela avenida é um grande shopping center cercado de condomínios residenciais, salas comerciais e um hotel.
Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelam uma nova realidade do Brasil, que também se aplica ao ABC. Enquanto a participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) caiu de um pico de 40,9% em 1980 para 27,5% em 2010, a do setor de serviços cresceu de 49% para 67%. Hoje, a região tem sobrevivido à desindustrialização graças ao aquecimento da prestação de serviços. Porém, isso não é o suficiente. Nem para alcançar a prosperidade, nem para a retomada do desenvolvimento econômico da região.
O ABC também tem perdido sua mão de obra capacitada. Tem exportado seus profissionais qualificados, muitas vezes jovens, com alto nível de escolaridade, para São Paulo. Como o ABC não oferece oportunidades atrativas para ascensão em diversas carreiras, nem remuneração satisfatória para jovens que almejam um alto padrão de vida, a região perde quase todos os seus bons profissionais.
Esse quadro é fruto de um ambiente de negócios hostil, de um sistema tributário complexo e defasado e de estruturas que atinjam competitividade. O ABC não cresce e a renda da população se mantém no patamar de dez anos atrás, os produtos ficam inacessíveis à população, as empresas não avançam. É preciso solucionar esse problema, pensar a região como um todo, afinal, as sete cidades são conurbadas. Pensar apenas no próprio município é um tiro n’água. O Consórcio Intermunicipal do ABC poderia, enfim, exercer um papel de protagonista, colocando em prática ações que são apenas discutidas, deixando de ter caráter meramente institucional. Sem isso, será muito complicado atrair e preservar investimentos na região.

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