21 Feb 2020

Publicado em José Renato Nalini
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As pessoas que enxergam o que está acontecendo neste mundo podem se sentir sozinhas. Será que ninguém enxerga que as mudanças climáticas não são invenção, mas resposta do planeta à crueldade humana? Será que ninguém se importa com a destruição da floresta, que implicará em ausência de chuva em todo o Brasil e desertificação da Amazônia? Ninguém notou que estamos fazendo do nosso habitat um imenso “lixão”, já que os indivíduos, as empresas, o governo, produz dejetos em ritmo incompatível com a possibilidade de absorção pelo ambiente e aos poucos seremos soterrados por plástico e outros materiais imperecíveis?
A sensação de derrota perante a vitória do cinismo, nome apropriado para o ceticismo preponderante, é mais do que justificável. Mas é preciso resistir. Enquanto houver uma voz racional, é preciso berrar. Romper a barreira da surdez moral e da cegueira científica.
Para animar os desalentados, é interessante rememorar a história de Yeo Bee Yin, a malaia que se chocou ao visitar os poços de petróleo no deserto do Turcomenistão. Quem toma conhecimento da ação nefasta dos combustíveis para empestear o mundo não pode ficar inerte. Ela foi estudar Engenharia Química na Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Não aceitou trabalhar para os poluidores. Preferiu candidatar-se para procurar influenciar a gestão da coisa pública de seu país, a Malásia.
Depois de ser deputada e empunhar a bandeira ecológica, viu-se Ministra de Energia, Ciência, Tecnologia, Meio Ambiente e Mudanças Climáticas. E mostrou a que veio. Com 35 anos, provocou de imediato uma revolução na política nacional de energia. Fixou a meta de aumento de energia renovável de 2% para 20% até 2030. Declarou guerra à poluição por plástico e proibiu a importação desse material. Lançou plano de 12 anos e um marco legal para a eliminação do plástico nesse período, com incentivo à pesquisa de biodegradáveis.
Enfrentou resistência, é óbvio. Para a maior parte das pessoas, o dinheiro vale mais do que a vida. Principalmente quando a vida é alheia. Mas ela não se importa. Vive a repetir: “algumas pessoas pensam em problemas para soluções e não em soluções para o problema”.
Inspiração para quem pensa estar sozinho contra a corrente. E que corrente! Parece que a humanidade fez um pacto com o demônio em desfavor da natureza, da vida e da permanência desta aventura existencial sobre este sofrido planeta.

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