Conversas de Memória

Água para beber

Participantes do encontro de Conversas de Memória

No mundo atual, onde a crise climática não é só uma ameaça, mas algo muito presente, cotidianamente vivenciamos e/ou temos notícias de eventos extremos, como secas, calor acima da média, chuvas intensas, enchentes etc.
Nesse cenário, por vezes assustador, o uso racional da água, especialmente a água para consumo humano, se faz necessário ou, melhor, obrigatório.
Tendo essa questão como motivação, o encontro de Conversas de Memória, promovido mensalmente pelo Centro de Memória, da Secretaria de Cultura, da Prefeitura de São Bernardo, realizado na quarta (29) de julho, teve como tema Água para beber.
Em encontros anteriores, a questão da água já foi tematizada, porém com enfoque maior nos rios, lagos, riachos e represa, enquanto elementos constituintes do território local, destacando a importância dos mesmos no cotidiano da cidade. Mas, neste encontro, a proposta foi trazer as memórias das várias formas e locais utilizados na obtenção de água para beber, especialmente de épocas nas quais a água encanada era praticamente inexistente na cidade.
O encontro foi iniciado com Ana Tomazoni fazendo uma apresentação bastante didática, com o tema “Água: fonte de vida, saúde e memórias”.
Ana utilizou-se de vários recursos para abordar o tema: mesa com elementos que rementem às memórias da água; exemplos de uso da água para beber, combinando com frutas, raízes e folhas; entre outros. Destacou, sobretudo, a importância da água para a saúde do corpo, para a vida em sua totalidade.
Essa apresentação contribuiu substancialmente para as conversas que se seguiram, onde foram lembradas as diversas minas, bicas e fontes existentes na cidade, que outrora serviam à população: na Rua Municipal, onde existia a Fábrica de Móveis São Luiz; no MESC; no local onde era a Tecelagem Aída; na Termomecânica; no Planalto; na Via Anchieta; na Vila Dusi; entre outras citadas. Ainda há algumas em atividade, como a fonte da Avenida Robert Kennedy, mas outras, infelizmente, estão escondidas pela ocupação imobiliária, mesmo porque suas águas já não são mais adequadas ao consumo.
A Fonte Água Mineral São Bernardo, no início do Baeta Neves, foi muito lembrada, inclusive por ter sido explorada comercialmente, com suas águas sendo vendidas engarrafadas. Hoje ainda é lembrada pelo painel de azulejos ali existente, remanescente daquela época.
Também foram lembrados os poços d’água, existentes nas casas que, com seus amplos quintais, possibilitavam que fossem construídos, guardando distância da fossa séptica.
A construção do poço era uma obra que demandava muito trabalho e conhecimento adquirido na prática. Não era um trabalho solitário, havendo necessidade de alguns trabalhadores, que cavavam, cavavam… e iam retirando a terra até encontrar água. Quando a encontravam, segundo foi lembrado, era uma festa, tal a alegria pelo sucesso obtido. Os poços tinham 10, 15, 20 ou até mais metros de profundidade. Após escavado, havia o acabamento das paredes do poço, bem como a limpeza da água.
Roberto levou para mostrar a todos os recursos utilizados para tirar água do poço: uma corda, com carretilha e gancho; no gancho ficava preso o balde. O balde descia até o fundo e voltava com água. Por vezes se soltava do gancho e era uma aventura recuperá-lo.
Ainda, foram lembrados os poços artesianos e, até mesmo, as enchentes. Também a Represa Billings, criada para gerar energia elétrica, foi lembrada por seu potencial de fornecimento de água para beber.
A conversa foi finalizada com a música “Chuá, Chuá”, preparada por Odilon e Maestro Conceição, acompanhada por violão, cavaquinho e violino, cantada por todos os presentes.
Por fim, todos puderam degustar as comidas e bebidas, preparadas por Ana Tomazoni e equipe, com frutos da Mata Atlântica, como o cambuci e outros…
Foi um encontro onde todos os sentidos (olfato, paladar, audição, visão e tato), além das falas, contribuíram para a construção das memórias referentes ao consumo de água para beber. Enfim, foi um encontro saboroso…

Jorge Magyar