Política

Eleições 2026: ex-prefeitos do ABC entram na disputa com pré-candidaturas

As eleições de outubro próximo irão trazer nas urnas diversos ex-prefeitos do ABC, que disputam cadeiras na Assembleia Legislativa (Alesp), na Câmara Federal e até no Governo de São Paulo.

Das sete cidades, cinco municípios da região têm ex-prefeitos que já são pré-candidatos para as eleições de outubro. São eles, os ex-prefeitos de Santo André, Paulo Serra (PSDB), pré-candidato ao Governo do Estado; São Bernardo, Orlando Morando (MDB), pré-candidato a deputado federal; Ribeirão Pires, Clovis Volpi (PSD), pré-candidato a deputado estadual; Mauá, Átila Jacomussi (PRD), disputará a reeleição à deputado estadual e, Diadema, Lauro Michels, cotado para disputar como deputado estadual.

A tendência de ex-prefeitos entrarem na disputa não é novidade. Na última década, considerando as eleições de 2016 a 2024 e os pleitos legislativos de 2018 e 2022, cinco ex-prefeitos do ABC disputaram vagas para deputado estadual e/ou federal.

Entre os ex-prefeitos do ABC que disputaram cargos de deputado federal estão: José de Filippi Júnior (PT), de Diadema, em 2018; Donisete Braga (PT), de Mauá, em 2018; Luiz Marinho (PT), de São Bernardo, em 2022. Na disputa como deputado estadual, estiveram Aidan Ravin (Pode), de Santo André, em 2018; Oswaldo Dias (PT), de Mauá, em 2018.

Entre eles, alguns conseguiram se eleger, como Luiz Marinho e José de Filippi Júnior, em eleições anteriores, enquanto outros não foram eleitos nas tentativas mais recentes, como Aidan Ravin, Oswaldo Dias e Donisete Braga

EX-PREFEITOS NAS ELEIÇÕES 2026

Mas, afinal o que leva um ex-prefeito a disputar cargos eletivos após deixar uma Prefeitura? Para o ex-prefeito de Ribeirão Pires e pré-candidato a deputado estadual, Clovis Volpi (PSD), com mais de 50 anos de vida pública, o que leva um ex-prefeito a movimentar-se para fazer uma candidatura está no perfil de cada um. “Para alguns o poder pelo poder, outros têm o significado de não ficar fora da vida pública e encontrar uma candidatura como alternativa de manter-se dentro do jogo político. Outros querem, inclusive, só manter o nome para disputar, novamente, uma Prefeitura”, avalia.

Volpi ainda diz que esses ex-prefeitos “já militaram muito na vida pública e que têm uma experiência muito grande e esse senso regional que o ABC precisa”.

O ex-prefeito de São Bernardo e pré-candidato a deputado federal, Orlando Morando, diz ser “quase que natural” disputar eleições. “Considerando que se está num período intermediário, aonde nós, eu também, como ex-prefeito, não podemos concorrer a cargos municipais e as eleições que se aproximam são de presidente, governador, senador, deputado federal e estadual”, considera.

MOTIVOS DAS PRÉ-CANDIDATURAS DE CADA EX-PREFEITO

CLOVIS VOLPI (PSD)

“No meu caso é para que possamos valorizar a região”

O ex-prefeito de Ribeirão Pires e pré-candidato a deputado estadual, Clovis Volpi, fala à Folha.

“O meu caso é um caso talvez até sui generis, porque estou fora da disputa por legislativo há 22 anos, 23 anos”, revela o ex-prefeito de Ribeirão, sobre a sua pré-candidatura a uma vaga na Alesp.

“Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra têm, hoje, 140 mil eleitores e, com a nova reformulação tributária, isso poderia acarretar um problema muito grande em cidades menores, neste caso, o Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires. Mas, incluímos Mauá nessa discussão, porque Mauá tem hoje 315 mil eleitores. E veja bem, tem dois deputados, um da situação, que hoje está no governo, que é do PT, e outro de uma posição que já foi prefeito. Se juntarmos 315 mil votos de Mauá, 90 mil votos Ribeirão, seriam 400 mil, e mais uns 40 mil, 50 mil de Rio Grande da Serra, teríamos 450 mil votos”, analisa.

De acordo com Volpi, com 450 mil votos seria possível eleger quatro deputados estaduais e dois federais. “No meu caso é para que nós possamos valorizar a região. Não se suporta mais o crescimento e desenvolvimento de outras regiões. O ABC, que sempre foi o berço industrial do país, está minguando por conta de as empresas optarem por outras regiões com poder aquisitivo muito maior”, afirma.

Clovis diz que quer dar ao ABC um poder político maior. “Mas, um poder político, também, com mais conhecimento, com mais experiência, com mais dedicação à vida pública e não ser esta aventura, que muitas vezes os candidatos se apresentam apenas para fazer uma aventura”, pondera.

ORLANDO MORANDO (MDB)

“Nunca disputei eleição por vontade própria”

O ex-prefeito e pré-candidato a deputado federal, Orlando Morando fala à Folha.

“No meu caso, na minha opção, foi ouvindo e fazendo pesquisas e há um indicativo muito forte, principalmente de São Bernardo, e de boa parte do ABC, para que eu disputasse as eleições deste ano”, definiu Morando, como os motivos para que entrasse na disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados. “Nunca disputei eleição por vontade própria, sempre me pauto em saber o que as pessoas esperam do meu trabalho”, enfatiza.

Além disso, o ex-prefeito cita a experiência de 15 meses como secretário de Segurança da Capital como “muito importante”, além dos quatro mandatos como deputado estadual e oito anos como prefeito de São Bernardo.

“O desejo veio das pessoas do ABC para que pudesse disputar a eleição de deputado federal, de prefeitos do ABC. Hoje, a gente tem um apoio muito consolidado dos prefeitos Tite Campanella, de São Caetano; Taka Yamauchi, de Diadema e do prefeito Guto Volpi, de Ribeirão Pires e de dezenas de vereadores da região”, conta.

Morando ainda ressalta que tem certeza de que “a grande maioria da sociedade está insatisfeita com os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. “Minha missão é tentar contribuir com o meu país, ocupando uma vaga na Câmara dos Deputados”, frisa.

PAULO SERRA (PSDB)

“A nossa pré-candidatura governador está mantida”

O ex-prefeito de Santo André e pré-candidato a governador, Paulo Serra, fala à Folha.

O ex-prefeito de Santo André e presidente estadual do PSDB, Paulo Serra, não comentou sobre a movimentação de outros ex-prefeitos, mas confirmou sua pré-candidatura ao Governo de São Paulo.

A nossa pré-candidatura a governador está mantida e, mais do que mantida, estamos estruturando politicamente essa pré-candidatura”, revela.

Serra contou que tem conversado com diversos partidos. “Essa é uma condição importante para que a nossa pré-candidatura se viabilize, porque a gente quer que essa terceira via, que a gente está construindo, que ela tenha capilaridade. Então, ter outros partidos da chapa é importante, criar uma aliança partidária de centro, e a gente tem trabalhado neste mês de maio nesse sentido”, pontua.