
A história da Motores Perkins em São Bernardo começou em 1959, na Av. Wallace Simonsen, no Bairro Nova Petrópolis. Em 1977, a fábrica expandiu-se com uma nova unidade em frente à original. Naquela época, a empresa formava sua própria mão de obra, admitindo pessoas sem experiência e qualificando-as via cursos do Senai.
O cenário urbano mudou: onde antes pulsava a usinagem e montagem, hoje encontram-se colégios e empreendimentos imobiliários. A empresa também mudou, passando por diversas denominações até tornar-se Maxion. Em seu auge, empregou 2.000 funcionários, número reduzido para 600 em seu fechamento, em 1996, já na unidade do Bairro Alvarenga, reflexo da automação e da terceirização.
Diferente das narrativas oficiais, que costumam privilegiar a ótica do capital, os ex-trabalhadores da Perkins/Maxion, decidiram contar sua própria trajetória. Em junho de 2025, foi lançado o livro “Memórias de luta de classe”, escrito por Eduardo Magalhães Rodrigues a partir dos relatos dos protagonistas.
A obra é fruto da organização da ASTRAMP (Associação dos ex-trabalhadores da Maxion-Perkins). Durante sete anos, um grupo de operários investiu recursos próprios para resgatar 37 anos de existência da fábrica. O livro documenta o que as fontes midiáticas muitas vezes omitem: a resistência – as greves e a luta por melhores salários e redução de jornada; a vida além do torno – o cotidiano marcado pela fé, pelo esporte e pela solidariedade e a arte operária – a “cultura de fábrica” manifestada em poesias, músicas e festivais que buscavam tocar a sociedade.
Assim como a emancipação de São Bernardo “custou mas veio” (frase que está no Hino de São Bernardo), podemos dizer que “custou, mas veio” um livro com as histórias vividas e contadas pelos próprios trabalhadores e trabalhadoras, que se tornou um registro essencial da identidade operária do ABC paulista.
Odilon Cunha – integrante da AME (Associação dos Amigos da Memória de São Bernardo).















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