O governo do presidente Donald Trump confirmou, em comunicado publicado, na quarta (15), a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, A taxação é uma punição por práticas comerciais consideradas desleais pelo governo americano. A cobrança está programada para entrar em vigor, já nesta quarta (22). Os produtos brasileiros pagarão as segundas maiores tarifas do mundo para entrar nos EUA, atrás apenas da China.
Na lista de itens isentos da tarifa de 25%, inclui carne bovina, café, laranja, suco de laranja, partes para a fabricação de aviões, petróleo e celulose.
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) alegou “práticas comerciais injustas”, que estariam impedindo trabalhadores e produtores americanos de acessar o mercado brasileiro.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva repudiou a imposição pelos Estados Unidos de tarifas de 25% sobre a importação de produtos brasileiros, confirmada pelo governo do presidente Donald Trump, na quarta (15).
O governo federal divulgou nota sobre a decisão sobre o tarifaço de Trump: “O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável (..) Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país”, disse trecho. Ainda foi escrito: “O Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio”.
O Planalto garantiu ainda que “seguirá adotando medidas para reduzir os danos causados à economia e à renda dos brasileiros” e que “O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC”.
Este possível contra-ataque brasileiro por conta do tarifaço, pode gerar consequências ainda piores para o País, como uma verdadeira guerra comercial. Vale lembrar que os únicos países (Canadá e China) que se opuseram à fúria protecionista de Trump, acabaram tendo redução de investimentos e aumento de preços. Assim, foram obrigados a selarem acordos parciais.
O comunicado do governo também entrou na esfera da disputa presidencial, criticando a família Bolsonaro: “É triste constatar que o lamentável desfecho das investigações baseadas na Seção 301 faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro”.
O tarifaço de Trump “caiu como uma luva” para a pré-campanha à reeleição do presidente Lula, que deverá fustigar seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como “traidor” da Pátria, com o mote “Tariflávio”. De acordo com o Estadão, um grupo de influenciadores digitais do presidente, os “Porta-Vozes do Lula”, já foram acionados para inundar as redes sociais com mensagens que vinculem Flávio à decisão do governo americano.
Já Flávio culpou o presidente Lula pelas novas tarifas anunciadas, mas ainda tenta se desassociar do tarifaço, mal recebido pelo eleitorado e apoiado, no ano passado, por seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL).
E para quem vai a conta política do tarifaço? A medida foi econômica, mas os efeitos políticos, em pleno ano eleitoral, devem acirrar a polarização, e prejudicarem os brasileiros de todos os lados do espectro político.













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