Apenas cinco ruas unem os municípios mais populosos do ABC, Santo André, com popu-lação estimada de 782.048 pessoas (2025) e São Bernardo, com 841.154 pessoas (2025). É constatável que essas cinco ruas são poucas para conectar as duas maiores cidades da região e para o deslocamento dos veículos.
As cinco vias que conectam São Bernardo à Santo André são: Avenida Pereira Barreto, Avenida Príncipe de Gales, Avenida Atlântica/Avenida Winston Churchill, Avenida Lions/Avenida Prestes Maia e Complexo Guarará/Rua dos Vianas. A frota de veículos em Santo André é de 609.405 e, em São Bernardo, 663.227 veículos. É evidente que cinco ruas é muito pouco para 1,27 milhão de veículos. Assim, os congestionamentos são constantes nestas vias, em qualquer horário do dia. Esse problema já foi apontado pela Folha, anteriormente, mas nada foi feito.
A Avenida Pereira Barreto, principal via que liga Santo André a São Bernardo, está diariamente congestionada a qualquer hora do dia. Na quinta (11), já estava lotada e na manhã de sexta (12), com o congestionamento no seu normal, ou seja, lotada de carros de Santo André a São Bernardo. Essa é a realidade dessa avenida: o congestionamento começa em Santo André e segue até as imediações do Paço de São Bernardo.
A cada ano que passa, a situação se agrava e nada é feito para mudar a situação. Nem o Consórcio Intermunicipal, que reúne os prefeitos das sete cidades, até agora, não tomou nenhuma providência e sequer levantou ou debateu o problema. O caso se agrava porque, para ampliar as vias, é necessário construir pontes sobre os córregos que separam as duas cidades, mas é necessário investimentos dos dois municípios.
Esses gargalos provocam enormes congestionamentos diariamente. Desde quando os ex-prefeitos Celso Daniel e Maurício Soares, ambos do PT, administravam as duas cidades esse assunto tem sido abordado neste espaço.
A ampliação das ruas de acesso entre os dois municípios sempre foi postergada porque há necessidade de as duas Prefeituras terem interesse e financiarem a obra. Só que isso, até agora, não ocorreu. Uma das poucas realizações conjuntas e exitosas entre dois prefeitos locais, para facilitar o acesso entre os municípios, aconteceu durante o governo de Celso Daniel e Luiz Tortorello. Com boa vontade, os dois decidiram, finalmente, unir esforços para facilitar o escoamento do tráfego de veículos entre a Rua Alegre, em São Caetano, e a Avenida D. Pedro II, em Santo André. Antes, não havia essa ligação, e os veículos que vinham de São Caetano eram obrigados a descer até o Imes para entrar em Santo André.
Atualmente, o congestionamento nas vias dos municípios não é tema dos discursos dos prefeitos da região. Uma realidade cada vez pior, que piora não só a qualidade de vida da população, mas a saúde, afinal, estudo da USP indica que respirar o ar poluído das ruas por 1 hora pode equivaler a inalar os mesmos danos de 5 cigarros.
Os prefeitos da região já se reuniram para debater projetos e obras como BRT ABC, o Piscinão Jaboticabal, na divisa entre São Paulo e São Caetano e até a Linha 20-Rosa do Metrô. Mas falta debater e encontrar soluções para o congestionamento de veículos que trava as cidades em diversos horários do dia.
Será que a boa-vontade dos prefeitos em parar de ignorar um dos maiores problemas que afeta todas as sete cidades do ABC não pode melhorar, também, o humor diário de milhares de motoristas, a qualidade de vida e a saúde dos moradores locais? É preciso empenho e investimentos em obras que melhorem e aliviem o fluxo intenso de veículos, principalmente, nas divisas dos municípios. Até quando esta caótica realidade será ignorada?














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